Pelé rouba cena e ofusca desafetos

Incluído no evento pela vontade da presidente Dilma, Atleta do Século se transforma na estrela da cerimônia

Almir Leite, Bruno Lousada, Sílvio Barsetti e Wagner Vilaron, O Estado de S.Paulo

31 de julho de 2011 | 00h00

O Rei Pelé nem precisou falar para começar sua missão de embaixador honorário da Copa do Mundo com destaque. Ontem, durante o sorteio dos grupos das Eliminatórias, na Marina da Glória, no Rio, ele foi acariciado com palavras pela presidente Dilma Rousseff, que o chamou de "querido"", além de qualificá-lo como "inesquecível"" .

Pelé foi o destinatário de calorosas palmas quando a presidente referiu-se a ele pela primeira vez em seu discurso - farias duas outras menções.

Aliás, foi Dilma quem puxou a homenagem. Na plateia, um dos poucos que não aplaudiram foi Ricardo Teixeira, presidente da CBF e do Comitê Organizador Local (COL), com quem Pelé andou às turras nos últimos dias.

Sentado na primeira fila, o Rei levantou e agradeceu as palmas com um aceno. No rosto, uma expressão serena, mas de satisfação e alegria.

O embaixador honorário da Copa também foi citado pelo presidente da Fifa, Joseph Blatter, mas nesse caso muito mais pelo que representou dentro de campo.

Como comparecer a eventos da Fifa deixa Pelé numa situação desconfortável porque ele faz propaganda para algumas empresas concorrentes da entidade e da CBF, sua participação foi discreta.

Pelé, no entanto, estava orgulhoso por ter sido incluído no trabalho de promoção da Copa pela presidente Dilma. E mostrou a descontração habitual.

Depois da cerimônia, ele descansou por alguns minutos em uma sala preparada para receber Dilma e seus convidados. "Descoberto"", deu vários autógrafos, inclusive para assessores da presidente, que o definiram , como uma pessoa bastante agradável e solícita. Pelé também conversou rapidamente com alguns prefeitos e governadores.

"A vontade de a gente transformar a Copa do Mundo em exemplo é de todos os brasileiros. Aliás, são 190 milhões trabalhando para isso"", disse à TV Globo, antes de se retirar.

Próximos passos. A discrição demonstrada ontem por Pelé não deve se repetir nas próximas ocasiões em que ele exercer o cargo de embaixador. Um dos planos de Dilma Rousseff, de acordo com pessoas próximas ao Rei, é que ele integre a comitiva presidencial sempre que a viagem tiver ligação com a Copa do Mundo, visitas às cidades-sede, por exemplo.

No entanto, a assiduidade da presença de Pelé dependerá da agenda dele como garoto-propaganda e homem de negócios.

O ex-jogador também deverá representar o Brasil em atividades ligadas à Copa do Mundo a ser realizadas no exterior, entre elas as do setor de turismo e de negócios.

Dilma convidou Pelé para ter participação ativa na Copa durante a cerimônia de abertura dos Jogos Mundiais Militares, exatamente há duas semanas. Na ocasião, a presidente fez o discurso inaugural e o Rei acendeu a pira olímpica.

Pelé ficou entusiasmado e não demorou muito para responder positivamente.

O convite tem o objetivo também de mostrar o distanciamento do governo federal com os cartolas da CBF e da Fifa. "Pelé vai ser os olhos da Dilma na Copa"", chegou a dizer uma interlocutora da presidente.

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