Pelé se rende aos gols de Ronaldo

Rei elogia o craque. ?Fez um gol de Copa do Mundo, uma pintura?

Giuliander Carpes, SANTOS, O Estadao de S.Paulo

27 de abril de 2009 | 00h00

Ronaldo mostrou ontem que gosta de jogos decisivos. Mesmo ainda fora do peso ideal e sem toda a mobilidade de antes das cirurgias a que teve de se submeter para corrigir lesões graves nos dois joelhos, marcou os dois gols da vitória contra o Santos que fizeram o Corinthians pôr uma mão na taça do Paulista. Saiu do campo consagrado e elogiado por companheiros e pelo Rei do Futebol.Pelé assistiu ao jogo de seu camarote e deixou a Vila Belmiro logo após o segundo gol do Fenômeno. "Ronaldo fez um gol digno de Copa do Mundo, uma pintura", afirmou. O corintiano, claro, gostou ao saber dos elogios. "Agradeço e fico orgulhoso por ter feito a minha parte", disse. "Mas ainda tem o segundo tempo da final (domingo, no Pacaembu)."Em 15 partidas em finais, o Fenômeno marcou 13 gols e conquistou dez títulos - perdeu apenas três taças. E ontem fez a sua parte para conquistar mais um troféu na vitoriosa carreira. "Ninguém jamais apostaria nesse resultado", afirmou. "É muito importante, aumenta muito a nossa vantagem."Com toda a experiência acumulada em 16 anos de futebol profissional, Ronaldo havia disputado apenas uma decisão no Brasil. Foi com o Cruzeiro, em 1993, na Recopa Sul-Americana, contra o São Paulo. Passou em branco nas duas partidas, que terminaram por 0 a 0. "Nem lembrava disso."Contra o Santos, na Vila, Ronaldo fez tudo o que se espera de um jogador de sua estirpe em uma final de campeonato. Mesmo que não tenha aparecido muito para o jogo, deu alguns passes de categoria e marcou dois gols decisivos que colocam o favoritismo ao lado do Corinthians para conquistar de novo um título importante - o último foi o Brasileiro de 2005.O astro confessou que reparou no posicionamento de Fábio Costa durante a primeira etapa. "Estava vendo no primeiro tempo que em alguns lances ele fica bem adiantado. Estava com isso na cabeça e aproveitei em uma jogada decisiva", explicou o atacante que, aos 32 anos, sendo o maior artilheiro da história das Copas, marcou um dos gols mais bonitos de sua carreira. "Acho que não dá para reivindicar uma placa, mas, se vier, está bom."Mano Menezes se rendeu à capacidade de Ronaldo. "Ele é um dos melhores jogadores do mundo que eu ainda não havia tido oportunidade de dirigir", elogiou. "Jogadores com essa capacidade têm tempo de, além de jogar, estudar durante o jogo. É a chamada experiência, além da capacidade técnica que todo mundo sabe que ele tem."Mano não se furtou a comentar também a possibilidade de o centroavante receber uma placa como já havia recebido outro ídolo corintiano, Marcelinho, por marcar um gol depois de dar um chapéu num zagueiro santista no Paulista de 1996. "Quem tem direito de dar placa aqui é só o Pelé", lembrou o técnico. "Mas é importante um jogador pra fazer esses lances num momento de dificuldade."A FRIEZA DO MATADORA frieza do artilheiro impressionou o público da Vila Belmiro. Depois de dificuldade para dominar a bola na frente dos zagueiros em um contra-ataque, Ronaldo deixou os adversários para trás. Parecia que perderia a bola. Mas percebeu Fábio Costa adiantado e concluiu com maestria. "Eu não jogo sozinho, ninguém consegue jogar sozinho", salientou, com humildade. "Sou uma parte importante desse time e só tenho tranquilidade, porque meus companheiros me ajudam."Depois da partida, foi difícil para Ronaldo sair de campo. Toda a multidão de repórteres que foi à Vila queria uma palavra sua. Ele não se furtou em falar de sua bela atuação, mais uma prova de que o camisa 9 está recuperando a forma técnica dos velhos tempos. Cansado, pediu licença e saiu. "Chega", falou. A torcida santista fez eco, sofrida por não ter um camisa 9 à altura de Ronaldo ao menos no jogo de ontem. E aplaudiu.

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