Pelo Japão, Kalé encara Brasil no vôlei

Nem os ataques de Giba, nem as orientações de Bernardinho. Os maiores temores de Kalé, ídolo da seleção japonesa, no jogo de seu time contra o Brasil pela Liga Mundial, neste sábado, às 10 horas, no ginásio do Ibirapuera, em São Paulo (com TV Globo), são o Hino Nacional e a torcida brasileira. O jogador, de 31 anos, nasceu e foi criado no País."Ouvir o hino brasileiro é a pior sensação dessa vida. Nos jogos no Japão tive de me concentrar para não cantá-lo", disse o atacante, filho de japonesa e brasileiro. "E espero que a torcida não pegue no meu pé. Nos jogos no Japão, os brasileiros me chamavam de traidor", contou Kalé, que está na seleção japonesa desde 2003."A seleção do Brasil não o quer, mas para nós Kalé é importantíssimo", disse o técnico do Japão, Tatsuya Ueta. Lá, o atacante, que teve passagem pelo Lupo/Náutico, tem vida de astro."Está sendo ótimo andar sem ser reconhecido. No Japão, não posso sair, pois as pessoas me param", revelou Kalé, que dita moda entre os fãs. "Como sou o único da seleção a usar tênis de cano baixo, as crianças começaram a me imitar."Confusão - Um mal-entendido apimentou o ambiente do confronto Brasil x Japão. Nesta sexta-feira, Bernardinho não escondeu o desconforto com o pedido da comissão técnica japonesa de treinar no Ginásio do Ibirapuera com portões fechados - entenda-se, sem a presença da imprensa ou de integrantes da seleção brasileira."Não precisava ser assim. Sempre respeitei meus adversários e nunca coloquei gente para observar outras equipes", disse Bernardinho. "Até adiantei as nossas atividades para que os japoneses pudessem usar o ginásio na hora que pediram. No Japão, tive de esperar eles liberarem a quadra para poder treinar."Questionado sobre o fato, Tatsuya Ueta, que permitiu repórteres no treino, tratou de contornar a situação. "Realmente, gosto de treinos fechados quando enfrentamos adversários do mesmo nível, como Venezuela e Portugal, que podem marcar nossas jogadas. Em alguns casos, a presença de gente no ginásio atrapalha a concentração dos atletas", explicou o técnico. "Aqui não é o caso. O vôlei do Brasil é muito superior ao nosso. Ainda estamos crescendo e nada que fizéssemos seria novo para eles", admitiu o técnico da seleção japonesa.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.