Imagem Antero Greco
Colunista
Antero Greco
Conteúdo Exclusivo para Assinante

Pênaltis da discórdia

Pênalti é o lance mais polêmico do futebol. Gol de mão ou em impedimento também provocam discórdia desde que Charles Miller trouxe as primeiras bolas para cá. Mas o bate-boca que desencadeiam não se compara com o gesto de o juiz apontar a marca da cal. Nessa hora, o mundo desaba e, em 99,99% dos casos, há diz que diz, seja a assinalação correta ou errada.

Antero Greco, O Estado de S.Paulo

19 de agosto de 2013 | 02h03

Quer ver o que as grandes penalidades, para escrever à maneira lusitana, fazem? A rodada do Brasileiro andava modorrenta na tarde de ontem, com escassez de gols parecida com a presença de deputados nas sextas-feiras na Câmara Federal. A exceção ficava para o Canindé, onde a Lusa sucumbia por 3 a 1 à força de Seedorf e discípulos. Ou mesmo para Campinas, com o opulento Valter a marcar mais um para o Goiás. No Pacaembu e em Brasília, as redes não se mexiam, por falta de chutes e de ventos fortes.

De repente, "derrepentemente" como cantaria Moreira da Silva, os árbitros resolveram dar uma agitada na adrenalina e roubaram a cena. Como? Vendo falta grave em duas disputas em que prevaleceu o corpo a corpo. Primeiro, na secura do Planalto Central, Ricardo Ribeiro viu tranco desleal do rubro-negro Luís Antonio em Lucas Evangelista. Minutos depois, no Paulo Machado de Carvalho, Péricles Bassols considerou incorreto o jogo de ombro de Luccas Claro em Danilo.

Bafafá tremendo, lá e cá. Jogadores de Flamengo e Coritiba inconformados com suas senhorias. Se estivesse em campo, eu faria pressão idêntica, pois nenhum dos episódios mereceria interpretação tão radical (A propósito: classifico como erros e não como má fé deliberada). A diferença ficou nos desdobramentos - e mostra bem o momento diverso das equipes beneficiadas pelo presentão. Jadson cobrou e Felipe pegou, enquanto Guerrero bateu com simplicidade e pontaria mortais, sem chance para Vanderlei.

E voltamos para o futebol propriamente dito. São Paulo e Corinthians, tão semelhantes nos últimos anos, em crescimento e em conquistas, tomam caminhos opostos na Série A. O temor pelo rebaixamento atormenta cabeças tricolores, que pesam toneladas e impedem que passes, finalizações, lançamentos e deslocamentos surjam com naturalidade. A convicção da luta por mais um título alivia alvinegros, que continuam fiéis à política sovina no ataque (14 gols) e na defesa (levaram seis). Assim, com as goleadas de 1 a 0 em 1 a 0, entraram no bloco principal.

O São Paulo não foi um fiasco na 12.ª partida consecutiva sem vencer na competição nacional. Soa irônica tal afirmação, mas não é. A turma de Paulo Autuori teve comportamento aceitável na defesa, ao contrário de desastres recentes. O meio de campo combateu, e criou pouco. A dianteira se mantém anêmica e não há meio de acertar. Começou com Osvaldo e Aloísio (que anda com fixação de jogar com as mãos e não com os pés) e terminou com Lucas Evangelista e Ademilson. Não funcionaram - e Luis Fabiano permanece em novo tratamento médico.

Não bate desespero incontornável no São Paulo porque ainda tem duas dúzias de jogos pela frente. Mas não passa de sombra do clube que, até pouco tempo, dava as cartas e tinha cãibras de tanto erguer taças. Um bom grupo se esfacela.

O Corinthians continua na toada com a qual a torcida se acostumou. Raros são os espetáculos, esporádicos os belos recitais. Estou pra ver, por aqui, time tão sovina para encantar. Compensa, porém, com a eficiência, que andou em baixa na Libertadores e está de volta agora que o campeonato engrena. Tite recorre às peças de sempre, até em alterações - mas precisa ficar atento a reações nervosas de alguns rapazes. Emerson saiu de campo bufando...

A estreia. Gostou do Neymar contra o Levante? Eu não. Entrou no segundo tempo, quando a surra estava em 6 a 0 (acabou 7 a 0), ficou escondido, deu um chute, levou um amarelo. E jogou só sete minutos com Messi, logo substituído. Parecia treino.

Tudo o que sabemos sobre:
Antero Greco

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.