AFP PHOTO/IOC/INTERNATIONAL OLYMPIC COMMITTEE/GREG MARTIN
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Peng Shuai, tenista chinesa que estava desaparecida, faz reunião com COI e afirma que está bem

Informações sobre o encontro, realizado neste domingo, foram divulgadas pelo próprio Comitê Olímpico Internacional

Redação, Estadão Conteúdo

21 de novembro de 2021 | 18h22

A tenista chinesa Peng Shuai, desaparecida desde o começo de novembro, afirmou estar segura e se sentindo bem em uma vídeo chamada realizada com o presidente do Comitê Olímpico Internacional (COI), Thomas Bach. As informações sobre o encontro foram divulgadas pelo próprio comitê neste domingo, no mesmo dia em que a tenista foi vista durante um torneio de tênis juvenil, em Pequim.

No comunicado, o COI informou que Peng disse que “está bem e segura, vivendo em sua casa em Pequim, mas que ela gostaria de manter sua privacidade respeitada". De acordo com a entidade, a tenista agradeceu os gestos de preocupação sobre sua segurança e afirmou que agora prefere passar o tempo com amigos e a família. “Contudo, ela seguirá envolvida com o tênis, esporte que ela ama muito", concluiu o comunicado.

A aparição e a conversa com uma fonte que não representa o governo chinês é um novo capítulo de uma história que começou no início deste mês. 

Peng Shuai estava desaparecida desde o começo de novembro, poucos dias depois de acusar o ex-vice-primeiro ministro, Zhang Gaoli, de 75 anos, de forçá-la a fazer sexo. A principal suspeita foi a de que a tenista poderia estar sofrendo represálias ou intimidações por conta da denúncia realizada. 

Desde então, estrelas do tênis, organizações dos Direitos Humanos e entidades esportivas pediam esclarecimentos sobre o paradeiro da atleta. Serena Williams, Novak Djokovic e Naomi Osaka manifestaram preocupação chinesa, que já chegou a vencer os principais abertos do circuito do tênis e a ser número 1 do ranking de duplas. O presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, chegou a sugerir um boicote aos Jogos Olímpicos de Inverno, que serão sediados na China em fevereiro do ano que vem.

No entanto, entre os gestão de preocupação, veículos estatais da imprensa chinesa divulgavam informações desmentindo os boatos e afirmando que Shuai Peng estava bem e em segurança.

Steve Simon, diretor-executivo da WTA, entidade que organiza o circuito mundial de tênis feminino, rebateu e desconfiou de que Shuai estivesse em segurança mesmo depois da mídia estatal chinesa divulgar, por meio de uma mensagem supostamente de autoria da própria tenista, que a tenista estava bem, em casa e longe de perigo.

No último sábado, o jornalista Hu Xinjin, editor-chefe do jornal estatal Global Times, afirmou, pelo Twitter, que Shuai estava em casa e que a atleta faria uma aparição pública “em breve”.

A previsão de Xinkin se confirmou. Neste domingo, Shuau Peng foi vista em um torneio de tênis em Pequim. As fotos foram divulgadas no WeChat do Fila Kids Junior Tennis Challenger, organizado pelo China Open. Nelas, a tenista aparece vestindo um paletó azul escuro e uma calça branca. As imagens deste domingo se somam a outras divulgadas no sábado, 20, que mostram Peng, supostamente, em um restaurante.  

Sobre as imagens divulgadas no final de semana, a WTA manteve a postura de questionar a veracidade da informação, e afirmou que a entidade não estava convencida de quando os registros haviam sido feitos, uma vez que as fotos eram divulgadas por pessoas próximas ao governo chinês.

Entenda o caso 

Peng Shuai estva desaparecida desde o começo de novembro, poucos dias após acusar o ex-vice-primeiro ministro, Zhang Gaoli, de 75 anos, de forçá-la a fazer sexo. A denúncia foi relatada no perfil da atleta na Weibo — rede social chinesa que é fortemente fiscalizada pelo Partido Comunista Chinês —, mas a publicação foi deletada pouco tempo após a atleta expor o caso. 

A agressão teria ocorrido em 2018, segundo Peng. Ela teria sido coagida pelo político, casado, a fazer sexo. A tenista conta que resistiu e chorou antes de acabar cedendo. Nos três anos seguintes, ambos viveram um caso extraconjugal descrito como "desagradável" pela jogadora de 35 anos. Na publicação, a tenista disse que não poderia apresentar evidências que sustentassem sua afirmação, pois a relação de ambos era muito restrita.

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