Penhoras levam parte da renda dos clubes nos jogos

Pendências trabalhistas e comerciais desviam R$ 2,2 milhões dos cofres dos grandes do Rio

Sílvio Barsetti, O Estadao de S.Paulo

24 de abril de 2009 | 00h00

Como se não bastassem quase duas dúzias de taxas cobradas a cada jogo do Campeonato Carioca, detalhadas no borderô, os clubes do Rio têm de lidar com um outro fantasma neste início de temporada: a penhora das rendas. Se antes a bilheteria era uma fonte considerável de arrecadação para Flamengo, Fluminense, Vasco e Botafogo, hoje representa uma quantia não tão expressiva assim, pelo menos no Carioca e, principalmente, por causa da parcela destinada a cobrir pendências trabalhistas e comerciais.A exceção fica para quem chega à fase final da competição. O temor de dirigentes, notadamente nos dias de clássicos ao longo do campeonato, sempre recaiu sobre as decisões judiciais que se avolumam e deixam os clubes acuados. Quantias penhoradas em partidas do Carioca em 2009 alcançam cerca de R$ 2,2 milhões. O Flamengo é quem mais teve de pagar pelo que fez - as ações decorrem, em geral, de calotes . O Rubro-Negro viu o carro-forte da legalidade abocanhar de suas rendas mais de R$ 700 mil.Para o presidente do Flamengo, Delair Dumbrosck, as penhoras reforçam a necessidade de "uma engenharia financeira" para tornar o clube viável. Em todos os jogos no Carioca, 15% da renda líquida têm de ser entregue ao ex-craque do time Petkovic. Ele cobra na Justiça dívida de R$ 10 milhões do Flamengo. Outra fatia, no mesmo valor, é recolhida para saldar débito comercial com uma empresa de segurança. "Isso, sem dúvida, pesa e, infelizmente, é um problema criado pelos clubes, os devedores", disse. "Mas as taxas absurdas que temos de pagar também nos afetam e muito."Muitas vezes se estabelece, nessas contendas, um jogo de "gato e rato" que opõe advogados e representantes dos clubes. O último exemplo é recente. Desde quarta-feira, seis oficiais de justiça estão presentes em postos de venda de ingressos para o jogo de domingo entre Flamengo e Botafogo, o primeiro da final do Carioca, a fim de recolher o dinheiro que caberia ao Botafogo. "Estamos agindo na boca do caixa porque a grana da decisão da Taça Rio (domingo passado, também entre Flamengo e Botafogo) não estava depositada na segunda-feira nas duas contas mantidas pelo Botafogo", disse o advogado Luiz Roberto Leven Siano, que responde pelo ex-atacante Donizete, com o qual o Alvinegro tem dívida em torno de R$ 11,5 milhões.O presidente do Botafogo, Mauricio Assumpção, foi outro a reconhecer que as penhoras atingem em cheio o caixa dos clubes. Sobre as declarações de Leven Siano, disse, primeiro, que não pretendia entrar em polêmica. "Esse senhor diz coisas que não procedem e não merece a minha resposta."Depois, explicou que o Botafogo está em contato permanente com o Tribunal Regional do Trabalho para tentar solucionar questões como a de Donizete e outras, que dão dor de cabeça a todos os grandes clubes do Rio."O Botafogo é a favor, e não há nenhuma discussão sobre isso, de pagar todas as suas dívidas. E quer fazer isso com bom senso."

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