Pentatlo de sete esportes exclui convidados civis

Rali aéreo abre modalidade só para oficiais de carreira

Leonardo Maia / RIO, O Estado de S.Paulo

18 de julho de 2011 | 00h00

Muitos competidores dos Jogos Mundiais Militares são nomes conhecidos e respeitados pelo grande público. Atletas profissionais que representam nosso esporte pelo mundo. Mas modalidades como o Pentatlo Aeronáutico, que teve início ontem na Base Aérea dos Afonsos, são exclusivos para os militares de carreira, homens que trabalham em silêncio pela segurança nacional e levam o nome do País em missões internacionais.

O capitão Eduardo Utzig sabe que o Brasil não costuma reconhecer seus militares como heróis nacionais, ao contrário de outras nações. Utzig, que foi o navegador da equipe brasileira no rali aéreo, crê que os Jogos Militares servem para despertar o interesse da população pelo trabalho dos homens de farda.

"Esta é uma oportunidade única de mostrarmos nosso trabalho, nossa capacidade e sermos respeitados pelo público", comentou o capitão. "É a chance também de os militares de outros países conhecerem nossa excelência, além de podermos aprender muito com eles."

Chefe da equipe brasileira no pentatlo, o coronel Paulo Oliveira vibra com o interesse despertado pelas competições militares. Ele ressalta que esportes como natação, judô e futebol vão atrair muita atenção. E se mostra satisfeito em ver a repercussão que as curiosas modalidades militares estão alcançando.

"Essas provas divulgam as Forças Armadas e estreitam a relação entre civis e militares. Foi emocionante ver o público aplaudindo a cerimônia de abertura (no sábado), em sinal de respeito e admiração", disse o coronel.

A prova do rali aéreo abriu o pentatlo, que inclui outras seis modalidades: tiro, pista de obstáculos, natação, esgrima, basquete e orientação - mas, na realidade, não conta ponto para a pontuação final. É uma competição à parte, com medalhas exclusivas.

A disputa consiste em percorrer pontos de navegação em um determinado tempo, como num tradicional rali de regularidade. Na competição de ontem, os pilotos decolavam da Base Aérea dos Afonsos e tinham de sobrevoar marcos estabelecidos nas regiões das cidades de Resende e Volta Redonda, no Sul Fluminense. O trajeto demorava entre 30 e 40 minutos.

Os aviões utilizados eram Supertucanos (A-29), conduzidos em velocidade média de 400 km/h. A maior dificuldade era a topografia. "Treinei em área de fazenda, muito plana. Aqui, as montanhas ocultavam os pontos de passagem e só os avistávamos muito em cima. Era fácil errar o alvo", explicou Utzig, que ficou em 6.º. O vencedor foi o militar Alexis Palacios, do Equador.

Os competidores estrangeiros estavam especialmente animados com a participação nos Jogos. "A geografia daqui é muito similar à da região do Ushuaia (extremo sul da Argentina), com muitas montanhas", comentou o tenente argentino Matias Gaitan.

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