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Penúltima chamada

Um paulista, o Corinthians, está com a vida feita no Brasileiro. Salvo combinação esdrúxula de resultados, logo colocará no currículo mais uma taça e, como prêmio adicional, será o representante número 1 do País na Libertadores. Descansa durante a semana, só à espera do clássico com o Fla.

Antero Greco, O Estado de S. Paulo

21 de outubro de 2015 | 06h27

Assim, assiste de camarote à corrida que três rivais locais - Santos, São Paulo e Palmeiras - mantêm na penúltima tentativa de fechar o ano também com um troféu, no caso a Copa do Brasil, e igualmente levar o brinde extra de participar do torneio continental em 2016. O Fluminense é o intruso nessa convenção estadual e, em princípio (e só na teoria), o mais fraco do quarteto.

A saída tradicional para comentários prévios de jogos de semifinais é a de apelar para “história, rivalidade, peso das camisas, tiro curto”, etc. E assim ficar no muro. Para que você não acuse o cronista de fugir da raia, vamos lá: Santos e Palmeiras são favoritos diante de São Paulo e Fluminense; se não houver surpresas, farão final inédita. 

Preferência por eles? De forma alguma. Apenas constatação. Ambos estão em melhor momento técnico do que os adversários com os quais toparão. E o Santos, por aquilo que tem apresentado desde a virada de turno na Série A, é o que vive melhor fase entre os quatro. Pronto, resumo feito e imperfeito.

No duelo doméstico, o São Paulo assume o papel de coadjuvante ou de franco-atirador, se preferir. Embora esteja grudado no Santos, na corrida pelo G-4, oscila mais. A mudança de comando é recente, Doriva mal conhece todo o elenco e seria exigir demais que tenha fórmula acabada para superar o desafio em cima da hora. Além disso, continua a incessante oscilação de gente como Pato, Ganso, Luis Fabiano, Michel Bastos e grande companhia.

O São Paulo, no entanto, tem solução para não desviar do caminho do título que ainda não possui: precisa mandar na partida, tem de fazer com que prevaleça a condição de anfitrião, não pode permitir ao Santos espalhar-se sem cerimônia. E ganhar, por mais de um gol de diferença. É a alternativa para colocar pressão na volta, dentro de uma semana, na Vila Belmiro.

Há aspecto adicional para animar os são-paulinos: o Santos não é um visitante incômodo. Ao menos assim tem sido no Brasileiro, com apenas uma vitória fora de casa. As contrapartidas: raramente deixa de fazer gols, já que Lucas Lima, Gabriel, Ricardo Oliveira e outros desandaram a marcar a torto e a direito. E o fator Vila tem sido terrificante para quem o desafia lá.

Panorama semelhante no tira-teima entre Flu e Palmeiras. O tricolor carioca balançou demais, durante a temporada, fez trocas seguidas na comissão técnica e fechará o ano com Eduardo Baptista, que ainda não conseguiu dar estabilidade ao grupo. Um vaivém irritante, uma gangorra que mexe com os nervos da torcida. No final de semana, por exemplo, foi a vez da descida, na derrota para o Cruzeiro. A esperança é a de subida hoje à noite. 

O Flu tem de explorar pontos fracos do Palmeiras: ausências no meio-campo e o sistema defensivo. Para tanto, necessita de Fred, o artilheiro imprevisível e, ultimamente, improvável. Não há meio-termo para quem pretende salvar um ano sem brilho.

O Palmeiras tem ligeiro alívio em relação ao Brasileiro. Desta vez, Marcelo Oliveira terá mais variedade de escolha para compor o time que entra em campo, com a recuperação de alguns contundidos. O problema é ficar, ainda, sem Arouca e Robinho. O técnico sabe que a Copa é a chance que lhe aparece para afastar as críticas que, aqui e ali, despontam no clube. As cornetas palestrinas ensaiam entrar em ação - e, quando elas soam, estragos acontecem. E como!

Medo de voar. Por falar em estrago, a repentina fobia de viagens do presidente da CBF, Marco Polo Del Nero, faz o Brasil perder representatividade na Fifa. Uma pena para o País, que tenta recuperar prestígio após a imagem ruim deixada pelas surras finais na Copa do Mundo.

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