Pequena, mas fiel. É a torcida do S. André

Fanáticos pelo clube são famosos na cidade pela dedicação total à equipe e pelas histórias de amor sem limite

Ana Paula Garrido, O Estado de S.Paulo

24 de abril de 2010 | 00h00

Apesar de poucos, o Santo André tem torcedores únicos - diferentemente da maioria dos moradores, que têm a equipe da cidade como segundo time. Todos fiéis e capazes de loucuras, aliás, muitas loucuras. O mais famoso é Eduardo Braghirolli, o Esquerdinha. Ao chegar na sua casa, já se percebe o tamanho do fanatismo: pintou o símbolo do time no poste em frente ao portão. No quintal, ficam as bandeiras, feitas por ele para vender antes dos jogos -aposentado, é daí que ele tira dinheiro para acompanhar o time. Para todo lugar. "Fui sozinho ao Paraguai, na Libertadores (em 2005)", recorda.

No quarto no fundo da casa é onde Esquerdinha passa boa parte do dia. Lá só há espaço para o Santo André. Tem de tudo: camisetas, chaveiro, bonecos, e, claro, o sombreiro que colocou em cima da taça da Copa do Brasil, conquistada pela equipe em 2004. Ao lembrar do jogo, se emociona, por não ter ido ao Maracanã. O chefe na época fez uma ameaça: se ele fosse, seria mandado embora. "Ganhava bem e precisava manter a família", contou. "No outro dia também não fui trabalhar", completa. Foi ao aeroporto receber o time campeão.

A vitória de 2 a 0 contra o Flamengo, que deu o título à equipe do ABC, é o jogo mais marcante para os fanáticos pelo Ramalhão. "O Maracanã lotado e a gente, com 1.500 torcedores, fez a festa", comemora Ovídio Simpionato, presidente há 20 anos da Torcida Uniformizada Dragão Andreense (TUDA).

No caso dele, o amor pelo time surgiu por acaso. Em 1972, foi visitar parentes em Catanduva e os primos o chamaram para ver a equipe local jogar contra o Santo André. "Foi um 0 a 0, jogo duro", diz. Na outra semana, voltou a ver o time. Não parou mais. "Desde 75, só perdi dois jogos no (estádio) Bruno Daniel", se orgulha.

Ovídio chegou a ter todas as camisas do clube. Porém, durante uma viagem, sua casa foi roubada e lá se foi a coleção. "Só sobrou esta (de 81), porque caiu atrás da gaveta", disse, aliviado -foi naquele ano o primeiro acesso do clube no Paulista.

Terceira geração. Nascido 18 anos após a fundação do time (1967), o jovem Renato Ramos é um dos responsáveis em atrair novos torcedores. Presidente da Fúria Andreense, ele acredita que o desempenho do clube neste ano possa trazer mais mil pessoas à torcida organizada, hoje com 3 mil sócios. O crescimento, porém, também depende da redução do preço dos ingressos. "Pagar R$30 é muito caro. Agora, na série B do Brasileiro, cai para R$10, R$5. Fica mais fácil", disse.

O grupo, no entanto, já foi bem menor. Em 2000, havia apenas cinco pessoas, segundo Renato. A expansão veio depois da Copa do Brasil. O título paulista pode ser outro trampolim. No entanto, Renato admite que não esperava que o time chegasse à final. "Não ser rebaixado já era uma vitória", comenta.

O Esquerdinha, que no jogo contra o Grêmio Prudente, foi fantasiado -sua marca registrada desde 2003- de profeta, garante que o time será campeão e até diz saber o autor do gol. "Sonhei com quem vai marcar. Mas é segredo", esconde.

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