Pequenos faturam alto com grandes

Contra rivais da capital, times do interior dobram valor do ingresso

Anelso Paixão, O Estadao de S.Paulo

30 de janeiro de 2009 | 00h00

Que os times grandes sempre foram atração pelo interior afora, não resta a menor dúvida, mas este ano os pequenos estão querendo tirar a barriga da miséria. Para se ter uma ideia, na próxima quarta-feira, contra o Corinthians, em Jundiaí, o Paulista vai subir seus preços de R$ 20 (arquibancadas) e R$ 40 (numeradas) para R$ 50 e R$ 100, ou seja, mais que o dobro. O mesmo já ocorreu em Bragança Paulista no domingo passado, contra o Corinthians. Os ingressos foram de R$ 15 e R$ 30 para R$ 30 e R$ 60, o dobro.No caso de Bragança, porém, a estratégia acabou se transformando num tiro no pé, já que o público no estádio Nabi Abi Chedid não chegou a 8 mil pessoas. De acordo com a assessoria de imprensa do clube, o fato de o Corinthians disputar a final da Copa São Paulo de Juniores pela manhã atrapalhou a presença do torcedor corintiano na cidade. Teriam sido devolvidos os cerca de dois mil ingressos enviados ao clube da capital. A diretoria alvinegra teria incentivado a torcida a prestigiar os garotos. A explicação do vice-presidente do Paulista, do, o Pitico, para a majoração dos preços é simples. "A ideia é conseguirmos nos duelos contra Corinthians e São Paulo aproximadamente 50% do valor que investimos na formação do time", diz, para depois disparar uma teoria no mínimo polêmica. "Está na hora de mudarmos o perfil do público que vai ao estádio. Precisamos atrair as famílias de bom poder aquisitivo, que frequentam bons restaurantes, mas que têm medo de ir a um estádio por causa do público que encontrará lá. Na Europa, um ingresso custa cerca de 100 (aproximadamente R$ 300). Aqui no Brasil se paga caro para ver um show da Ivete Sangalo, mas ninguém quer pagar para ver futebol." Quem também quer faturar alto com a presença do Corinthians é o Guaratinguetá, adversário do dia 21 de fevereiro, sábado de carnaval. "Se o Ronaldo viesse, a cidade iria parar,mesmo que ele estivesse só na arquibancada. Seria um acontecimento histórico", afirma a gerente de marketing Lilian Agostinho. No entanto, a presença do atacante neste dia excepcionalmente provoca uma preocupação extra. "É que, tradicionalmente, no sábado de carnaval os homens da cidade se vestem de mulher e saem atrás de um trio elétrico da Banda Mole. Espero que a torcida do Corinthians não pense que isso é provocação ao Ronaldo."

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