Pequim fala em ''ataques suicidas'' do Tibete

Governo chinês diz ter conhecimento de planos de dissidentes e acirra clima de hostilidade

Pequim, O Estadao de S.Paulo

02 de abril de 2008 | 00h00

A tocha olímpica deixou a China e já está no Casaquistão, mas sua passagem por Pequim, segunda-feira, tornou ainda mais tensa as relações do país com o Tibete. Ontem, o governo chinês afirmou ter descoberto um plano de tibetanos, que estariam dispostos a recorrer a ataques suicidas com o objetivo de divulgar a luta pela independência da província e, assim, atingir a imagem dos Jogos Olímpicos. Segundo Wu Heping, porta-voz do Ministério da Segurança, 176 armas, 13.013 balas, 3,5 mil quilos de explosivos e 19 mil bananas de dinamite foram encontrados em monastérios durante batidas policiais desde o dia 14 de março.Os tibetanos pró-independência negam a intenção de incitar manifestações violentas. "Os tibetanos exilados são 100% comprometidos com a não-violência. Ataques suicidas estão fora de questão", disse o ministro do governo tibetano no exílio, Samdhong Rinpoche. "Mas tememos que chineses mascarados como tibetanos façam esse tipo de ataque."A polêmica está se expandindo rapidamente. Na Índia, onde vive a maioria dos exilados tibetanos - incluindo o líder espiritual, o dalai-lama - o capitão da equipe de futebol, Bhaichung Bhutia, anunciou ontem que desistiu de conduzir a tocha por Nova Délhi. "Deploro com veemência a repressão e tortura desatada pelas autoridades chinesas no Tibete", justificou o atleta, que nasceu no Himalaia, perto da zona de conflito. As relações entre China e Índia nem sempre foram cordiais e o governo indiano pediu ontem ao dalai-lama que não tome atitudes que venham a aumentar a tensão entre os dois países.DE PAZNos EUA, o porta-voz da Secretaria de Estado, Tom Casey, afirmou não haver indício de que os tibetanos pensam em recorrer a outros métodos, que não o diálogo, nas discussões com a China. Os americanos definem o dalai-lama como um "um homem de paz??. Em Cuba, Fidel Castro anunciou "declaração categórica de apoio à China, a despeito da campanha contra o país vinculada pelo Tibete".A Anistia Internacional divulgou ontem comunicado no qual ressalta que, ao contrário do que o Comitê Olímpico Internacional (COI) pretendia, a escolha da China como sede da Olimpíada aumentou a repressão contra o povo do país. A organização Defensores Chineses dos Direitos Humanos denunciou que Yang Chunlin, condenado a cinco anos de prisão por ?incitar a subversão? - organizou abaixo-assinado contra a realização dos Jogos e recolheu mais de 10 mil assinaturas - tem sido torturado. O COI passou a ser mais firme com os chineses: exige que não exista censura na internet durante a Olimpíada.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.