Perdão após 100 anos

EUA: desculpas a Jack Johnson

Wilson Baldini Jr., SÃO PAULO, O Estadao de S.Paulo

24 de outubro de 2008 | 00h00

O senador John McCain joga suas últimas fichas para conseguir votos na reta final da disputa que trava com Barack Obama pela presidência dos Estados Unidos. Uma cartada do político republicano é obter, no Congresso, um perdão presidencial póstumo a Jack Johnson, primeiro negro campeão mundial dos pesados. Um ato de justiça para um pugilista que sofreu mais fora do que no ringue.O Gigante de Galveston ficou com o cinturão de 26 de dezembro de 1908 a 15 de abril de 1915. Exibicionista, gastou seu dinheiro com ternos, carros de luxo e mulheres. Isso enfureceu a racista sociedade americana. O negro, de 1,80 metro (muito alto para a época), forte e narcisista virou o alvo predileto de polêmicas. Em 1910, a Ku Klux Klan (seita racista) enviou cartas exigindo que Johnson perdesse para J.J. Jeffries, mas ele venceu por nocaute no 15º round. Em 1913, foi preso por estar ao lado de uma branca. Detalhe: tratava-se de sua esposa. Casou-se três vezes com mulheres brancas. Depois de perder o título para Jess Willard, em 1915, em Havana, foi morar no México. Acabou acusado de "transportar mulheres através da fronteira para fins imorais". Johnson morreu em 1946, aos 68 anos, em um acidente de carro.

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