Perigo, perigo!

Enquanto acompanhava o Corinthians esbaforido no empate com o Noroeste, uma expressão cutucava minha cabeça. "Perigo! perigo!", eu repetia, mentalmente, à medida que o tempo passava e a apreensão se expandia pelo Pacaembu, no abafado final de tarde de domingo. O alerta do robô de Perdidos no Espaço, seriado que encantou a moçada nos anos 1960 e ainda hoje tem repeteco em algum canal a cabo, é atual e se aplica ao time de Tite. Senão para o Campeonato Paulista - afinal, oito terão vaga na próxima fase -, pelo menos para os duelos com o Deportes Tolima, pela pré-Libertadores. O primeiro será depois de amanhã, em São Paulo, e o jogo de volta está marcado para o dia 2, no campo rival.

Antero Greco, O Estado de S.Paulo

24 de janeiro de 2011 | 00h00

A equipe colombiana é de botar medo? Claro que não. Mas o futebol que o Corinthians mostrou, nas últimas duas partidas pelo torneio doméstico, parece pouco confiável. A preocupação vem daí e não da Colômbia. Depois da estreia muito boa diante da Lusa, no domingo (2 a 0), a turma de Ronaldo e Roberto Carlos emperrou contra o Bragantino e o Noroeste, no duplo 1 a 1.

A atenuante do pessoal alvinegro faz sentido - é começo de temporada, o fôlego falta, o preparo físico continua aquém do ideal. Isso a gente sabe de outros temporais. No Paulistão o regulamento compensa as derrapadas e os corintianos só ficarão fora das quartas de final se tiverem incompetência histórica. O mesmo não se aplica à Libertadores. São dois joguinhos, e fim de conversa. Vaciladas semelhantes às destes dias podem comprometer o ano desde a largada. Seria um golpe para quem espera as alegrias que faltaram no centenário.

O bom tira-gosto da semana passada faltou em Bragança e esteve ausente também ontem. O Corinthians apenas ensaiou dominar o Noroeste, sobretudo no primeiro tempo, quando contou com movimentação intensa de Jorge Henrique e Dentinho, além de arrancadas de Roberto Carlos, Moacir e às vezes Jucilei. Dessa forma, ficou em vantagem e deu a impressão de que se livraria do sparring sem muita dificuldade.

O roteiro mudou de figura na etapa final, em que mais uma vez a queda de desempenho prevaleceu. Bruno César, discreto no começou, sumiu. Ronaldo de novo não jogou nada. Jorge Henrique e Dentinho cansaram, a defesa ficou exposta e vulnerável. Para complicar, até Roberto Carlos entrou na dança - por falha sua, no meio do campo, nasceu a jogada do gol de empate.

Epa, nem por isso o lateral deixa de ter méritos! Muito menos deve ser sacrificado. Grandes jogadores também cometem enormes bobagens. Ainda assim, não diminuem o valor de suas biografias. No sábado, o goleiro Rogério Ceni, símbolo do São Paulo, espalmou errado um chute e entregou a bola de bandeja para o gol da vitória da Ponte Preta. E não é menos ídolo dos tricolores.

O Corinthians não viu mais dois pontos irem para o ralo por um lance desastroso. Não venceu porque lhe faltaram concentração, pulmões, pernas. E porque está a vacilar também do ponto de vista tático. A redenção, espero, deve começar a partir de quarta.

Maré mansa. O Santos nada de braçada, com três vitórias e 11 gols a favor. Sem esforço, fez 4 a 2 no Grêmio, em Prudente, e dessa vez contou com bela atuação de Elano, autor dos dois primeiros gols. As perspectivas são animadoras, uma vez que mais adiante terá à disposição Ganso e Neymar, as estrelas da companhia. Muito bom que acumule pontos nas rodadas iniciais, porque mais pra frente terá de dividir atenção com a Libertadores. O técnico Adilson Batista terá condições de apelar para revezamento sem constrangimentos.

Bom velhinho. Rivaldo é dos maiores jogadores que vi em ação. Um craque. Pra mim, o destaque do Brasil nas Copas de 1998 e 2002. Jogou demais no Palmeiras, no La Coruña, no Barcelona. Agora, na curva final da carreira, tentará a sorte no São Paulo. Torço para que honre sua história e possa colocar as chuteiras numa moldura com dignidade, antes que o tempo, marcador implacável, o alcance.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.