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Pernambucana garante o bronze

Yane Marques enfrentou várias dificuldades, como montar um cavalo com problemas oculares, até a conquista inédita

ALESSANDRO LUCCHETTI , ENVIADO ESPECIAL / LONDRES, O Estado de S.Paulo

13 de agosto de 2012 | 03h08

Apenas três anos de treinamento apoiado em base científica, um velho cavalo de 16 anos com problemas oculares e muita vontade de sair do anonimato e de tirar a própria modalidade, o pentatlo moderno, dessa situação. Todos esse fatores conjugados resultaram na medalha de bronze da pernambucana Yane Marques, de 28 anos, no último evento dos Jogos Olímpicos antes da Cerimônia de Encerramento.

Yane era uma nadadora de resultados modestos, de Afogados da Ingazeira. Em contato com instrutores de educação física do Exército, descobriu, em 2003, a existência do estranho esporte criado pelo Barão Pierre de Coubertin. Aos poucos, percebeu que esgrimir, atirar com uma pistola e montar a cavalo eram habilidades que poderia desenvolver. Correr rápido sempre foi - e ainda é - difícil.

Coubertin, o idealizador da versão moderna dos Jogos Olímpicos, buscou inspiração nos soldados de cavalaria do século 19 para criar o esporte. Desde 1900, ele queria emplacar o pentatlo moderno na programação dos Jogos, mas ele só foi aprovado na edição de 1912, em Estocolmo. O general norte-americano George Patton participou da competição na Suécia, mas não conseguiu medalha.

Décadas depois, Yane, treinando duramente, chegou a um nível de desempenho que a levou à conquista da medalha de ouro nos Jogos Pan-Americanos do Rio, em 2007. Mas isso estava longe de significar proximidade do pódio olímpico.

Em 2009, quando orbitava em torno do 15º lugar no ranking, o COB resolveu investir em Yane. Os recursos aumentaram.

O major Alexandre França, que treinava equipes de basquete do Exército, recebeu a missão de treinar Yane em 2003. Segundo ele, há apenas 12 artigos publicados sobre o treinamento de pentatlo moderno no mundo. Ele se aproximou de treinadores franceses e italianos. Antes de embarcar para Londres, Yane passou por Roma.

Hoje, ela conta com especialistas que fazem análise biomecânica da natação, da corrida e da equitação. "Tudo isso é para ganhar meio segundo na natação, como ganhei hoje. Eu estava pronta".

Após bom desempenho nas três primeiras etapas (esgrima, natação e hipismo), Yane chegou empatada com a lituana Laura Asadauskaite. Aí ela iniciou a corrida de 3km, que é interrompida por três sessões de tiro de pistola de laser num alvo. Yane terminou de atirar à frente da europeia, mas foi ultrapassada na corrida. Depois, a britânica Samanta Murray passou pela pernambucana na segunda volta. "Tive de usar todos os meus recursos, com muito sofrimento, mas como valeu a pena", disse Yane.

Pior momento. O pior momento, segundo ela, foi ter de montar Over the Odds, um velho cavalo (eles são sorteados pela organização). Ela tinha direito a fazer cinco saltos com o animal, mas França a orientou a fazer apenas três, para poupar seus músculos. As cavidades oculares do animal se dilataram e os olhos ficaram mais para dentro. Mas não se trata de um pangaré, como frisa Joel Bouzou, secretário geral da União Internacional de Pentatlo Militar. "Ele foi aprovado por experts internacionais".

Yane, que recebe cerca de R$ 5 mil somando-se bolsa atleta federal, estadual e soldo de terceiro-sargento, continua buscando patrocínio. O currículo melhorou um bocado.

PENTATLO MODERNO

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