Nilton Fukuda/Estadão
Cesar Cielo vira empresário e sócio da empresa Fiore de materiais esportivos, conduzida por André Fiore Nilton Fukuda/Estadão

Perto da aposentadoria, Cielo começa a trocar a piscina pela fábrica

Campeão olímpico em Pequim/2008 vira sócio de empresa de produtos de natação

Gonçalo Junior, O Estado de S.Paulo

28 de abril de 2018 | 17h00

É um baque ver Cesar Cielo com as mãos em um tambor de polipropileno na área de produção de uma fábrica. Sai o azul piscina e entra o tom pastel corporativo. Esse é o futuro que o maior nadador brasileiro de todos os tempos escolheu para depois que pendurar a touca, o que deve acontecer no final do ano. Aos 31 anos, Cielo está se tornando empresário de produtos de natação

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Essa transição será gradual. Até dezembro, ele vai se dividir entre a piscina e o escritório. Ele treina pela manhã no Esporte Clube Pinheiros e vai para o escritório da Fiore Sports, empresa do qual se tornou sócio, no período da tarde. Terá liberdade para focar nos treinamentos de olho no Mundial de Piscina Curta, de Hangzhou, China, no final do ano. “A piscina ainda é prioridade, mas estou gostando da nova fase”, diz o dono de três medalhas olímpicas. 

O Estado foi acompanhar um período de trabalho do nadador. Os departamentos que mais frequenta são marketing e desenvolvimento de novos produtos. Na primeira, ele vai atuar obviamente no fortalecimento da marca. Quer que o prestígio de recordista mundial dos 50 e 100 metros livres ajude a empresa de 53 funcionários, que atua no segmento de natação, hidroginástica e outros esportes aquáticos, a dobrar de tamanho nos próximos 12 meses. Meta agressiva em tempos de crise. 

Na área de desenvolvimento, vai usar sua experiência como cliente chato, como ele próprio se define, para criar uma nova linha de produtos. A presença do nome famoso nos produtos ainda está em estudos. A empresa tem nome no mercado, 40 anos de história, fabrica seus próprios itens e planeja a expansão ao lado do nadador. 

Cielo e o sócio André Fiore contam que essa parceria já existia desde o início dos anos 2000, quando se conheceram no Pinheiros. Atleta e diretor de natação. Informalmente, ele testava e propunha ajustes nos materiais. Uma de suas contribuições foi o aperfeiçoamento das sungas com bolsos. 

O produto já existia como parte do treinamento dos atletas de ponta: na piscina, os bolsos ficam cheios de água e exigem que o nadador faça mais força. Cielo propôs que os bolsos fossem mais firmes, segurando mais água e exigindo ainda mais esforço. Isso pode fazer o atleta ganhar centésimos preciosos na hora da prova. O nadador já aperfeiçoou também paraquedas e palmares. “Sempre gostei de desenvolver coisas novas. Sou cuidadoso e detalhista”. 

Isso significa que mexer no polipropileno, matéria-prima para a produção das raias das piscinas, colocar a mão na massa de verdade, será apenas só o próximo estágio. Ele ainda está se habituando com tudo. Até os funcionários estranham a presença do campeão circulando pelos andares da empresa, localizada na zona oeste de São Paulo. A fase dos pedidos de selfies já passou dentro da fábrica, mas durou um bom tempo. 

O serigrafista Claudio Santos, funcionário há 25 anos, conta orgulhoso que sempre viu o nadador na tevê. Torcia pela vitória, claro, mas também se encantava com a sua própria contribuição para os resultados na piscina. “Eu ficava olhando e pensando ‘fui eu que fiz essa touca’”, diz. “Hoje, eu olho para ele aqui, falando com a gente, dá até uma emoção.” 

Mesmo sem as ferramentas de trabalho tradicionais – a sunga e os óculos – Cielo leva a alma de atleta para todo canto. Depois de estudar Comércio Exterior nos Estados Unidos, ele enxerga no mundo corporativo desafios semelhantes aos que acabou de enfrentar no Troféu Maria Lenk na semana passada, quando foi o 3.º lugar nos 50 m. Acha que buscar as metas da empresa traz adrenalina semelhante às braçadas que deu a vida toda atrás de medalhas. 

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Resultados vão definir data da aposentadoria, diz Cielo

Nadador começa a planejar saída das piscinas e se torna empresário de produtos de natação

Gonçalo Junior, O Estado de S.Paulo

28 de abril de 2018 | 17h00

Primeiro brasileiro campeão olímpico de natação e dono de dois bronzes olímpicos, Cielo planeja se aposentar no final do ano. “Eu me vejo treinando até o final do ano. Minha meta é o Mundial de Piscina Curta (dezembro, na China). Para janeiro do ano que vem não vou prometer nada. Provavelmente depois do Mundial eu pendure minha sunga”, diz o dono de 17 medalhas em sete edições de Mundiais, sendo 11 de ouro. 

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Os planos, no entanto, não são tão definitivos assim. Ele não descarta adiar mais uma vez a parada se obtiver bons resultados. “Os resultados podem fazer com que eu mude de ideia. Não vou mentir que a motivação é diferente. Não tenho a gana para acordar às 5h30 que eu tinha dez anos atrás. Mas, enquanto estiver competitivo, minha meta está na piscina ainda”, afirma. 

Depois de algum tempo um tanto afastado das medalhas internacionais, o atleta voltou a frequentar os pódios de Campeonatos Mundiais no final do ano passado, com a prata no 4 x 100m livre em Budapeste. O revezamento é uma prova no qual o Brasil tem chances de medalha, inclusive nos Jogos de Tóquio. Foi uma espécie de retomada após ficar fora da Olimpíada do Rio em 2016. 

Em 2018, o bronze conquistado nos 50m no Troféu Brasil, antigo Maria Lenk, na semana passada, foi um resultado esperado, em sua avaliação. Bruno Fratus levou o ouro “Foi dentro do esperado. Eu vinha sem objetivo, pois não vou para o Pan Pacífico. Meu ano está começando agora”, diz o recordista mundial dos 50m com 20s91. 

O caminho na aposentadoria já está alinhavado. A sociedade em uma fábrica de produtos de natação para se tornar empresário é apenas um dos planos. Ele pretende intensificar o trabalho do coaching que oferece para os segmentos esportivo e corporativo, as clínicas de natação e o projeto social Novos Cielos, que atende 210 crianças no interior de São Paulo.

“A natação vai ser minha vida. Não tem jeito. Vou continuar desenvolvendo produtos, ajudando os atletas a buscarem técnicas melhores. Se tiver que ajudar fora da água, eu não tenho o menor problema”, diz o campeão olímpico 

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