Pesadelo se repete e Brasil é prata

Como aconteceu há quatro anos, seleção mais uma vez fica no quase ao perder para a Rússia por 3 sets a 2

Valéria Zukeran, O Estado de S.Paulo

15 de novembro de 2010 | 00h00

Quando se imagina que nada pode ser pior do que um pesadelo, descobre-se uma dor ainda maior quando ele se repete. Foi o que aconteceu ontem com a seleção brasileira feminina de vôlei, que ficou com a medalha de prata no Campeonato Mundial do Japão ao perder a final para a Rússia por 3 sets a 2 (25/21, 17/25, 25/20, 14/25 e 11/15), em Tóquio, tal qual a edição anterior do evento, em 2006. Um resultado honroso para um time que superou adversidades, mas ficou aquém da expectativa do título inédito.

Não há causa específica para a derrota brasileira. Vários fatores contribuíram para o resultado, como o desgaste da semifinal com o Japão, disputada em cinco sets - que contribuiu para os altos e baixos do time em momentos pontuais do confronto ontem. O árbitro também irritou as brasileiras ao marcar três pontos contra, um no tie-break, ignorando os juízes de linha.

Já o time russo apresentou poder de superação e força física. A oposto Gamova fez 35 pontos na final (29 de ataque, quatro de bloqueio e dois de saque)e foi eleita a MVP (sigla em inglês para Most Valuable Player; melhor jogadora) do campeonato.

O técnico José Roberto Guimarães elogiou suas atletas e reclamou da arbitragem. "Fico triste por ter perdido o jogo, mas feliz por ver a luta de todas até o fim." O treinador não deixou de apontar os problemas com o juiz sul-coreano Kim Kun-Tae. "Já havia alertado para não colocá-lo nesse jogo. Foi uma escolha infeliz. Não se pode errar num tie-break de uma final de campeonato. Um ponto custa muito", afirmou. Mas Zé Roberto admitiu que as adversárias, em especial Gamova, estavam inspiradas. "Defendemos algumas bolas, mas ela teve um aproveitamento de 80%. Não conseguimos pará-la."

Tristeza e cobrança. A depressão das brasileiras após a partida foi total. A levantadora Fabíola chorava. "Acho que é ruim viver esse momento de novo", admitiu a líbero Fabi, em lágrimas. "Estamos muito tristes e pedimos desculpas para as nossas famílias e para o povo brasileiro que sempre torce pela gente. Queríamos muito esse título, principalmente pelo que fizemos nessa competição."

A oposto Sheilla apontou os altos e baixos. "Paramos de jogar no quarto set. Tentamos voltar no quinto, mas não mantivemos o ritmo no final. A Gamova jogou demais hoje e fez a diferença."

Outras atletas fizeram avaliação semelhante. "A gente sabe que durante a partida cometeu erros, alguns vacilos", reforçou a capitã Fabiana.

A ponta Natália reverenciou as adversárias. "Elas jogaram para caramba." E se cobrou: "Aconteceram alguns vacilos nossos nesse jogo, a gente poderia ter dado mais. Eu estou com o sentimento de que poderia ter feito mais. Toda a equipe poderia ter dado aquele "algo mais"."

A seleção entrou em quadra para receber a medalha de mãos dadas logo depois da equipe do Japão, que ficou com a medalha de bronze ao bater os Estados Unidos por 3 sets a 2. Sheilla usou a camisa de Mari e Adenízia, a de Paula Pequeno, representando as atletas cortadas por contusão do Mundial. A Rússia deixou a sisudez de lado e foi para o pódio dançando. Bicampeãs mundiais (o time tem mais cinco títulos como União Soviética) podem.

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