Pessoa se irrita com veto irlandês

O veto irlandês a uma mudança na regra, para permitir a participação de Rodrigo Pessoa na prova principal do Concurso Internacional de Saltos de Aachen, deixou o cavaleiro brasileiro irritado. "Pedi para mudar o regulamento, mas os cavaleiros da Irlanda não concordaram", lamentou Rodrigo, que se retirou do Estádio Hípico de Aachen, após conhecer a decisão dos chefes de equipes e o voto contra da Irlanda. Um erro na inscrição tirou o conjunto formado por Rodrigo Pessoa e Baloubet du Rouet da principal prova do mais tradicional concurso de hipismo no mundo. Rodrigo tinha vaga assegurada para o Grande Prêmio, neste domingo como campeão do Mundial de Roma, em 1998, com o cavalo Lianos. A equipe brasileira enganou-se ao crer que o cavaleiro tinha também o green card (convite) com Baloubet, como vice-campeão da Copa do Mundo, em Gotemburgo, Suécia, em abril. O regulamento, o mesmo há 15 anos, foi alterado e o Brasil não percebeu. "Lamento, mas eles não leram o regulamento", disse o presidente do concurso, Klaus Pavel.O regulamento anterior assegurava a presença automática no GP de Aachen para os três primeiros conjuntos no Mundial, na Copa do Mundo, na Olimpíada, no Pan-Americano e nos principais concursos internacionais dos últimos 12 meses. CCom a alteração, o regulamento prevê agora que somente os campeões de cada uma das competições teriam vagas garantidas no GP sem participar das classificatórias de quarta e quinta-feira. "É a primeira vez em muitos anos que alteram o programa. Deveriam ter chamado a nossa atenção para isso", frisou Rodrigo.O caso tinha um agravante. Além de não poder montar Baloubet, outro item do regulamento proibia que saltasse o GP com o mesmo cavalo da prova de número 9, no sábado, quando Rodrigo montou Lianos. Sem poder competir com Baloubet ou Lianos, o campeão mundial ficou fora da principal prova de Aachen. Os ingleses ainda discursaram em favor do Brasil - achavam que a organização de Aachen deveria ter alertado os participantes sobre a mudança - mas o voto contrário da Irlanda impediu a unanimidade necessária. "A regra tinha de ser cumprida. Ele é o melhor do mundo, mas recebemos uma consulta e respondemos. Seria fácil culpar a Irlanda, dizer que fomos maus. Lamento, mas eles não leram as regras", afirmou o chefe da equipe irlandesa, Jerry Mullins. "No ano passado, houve isso com um suíço e eles mudaram o regulamento", disse Rodrigo, irritado com os irlandeses. Recordou-se que, recentemente, seu pai, Nélson Pessoa, o Neco, intercedeu para que os cavaleiros a Irlanda fossem convidados para duas provas na Espanha. "É a primeira vez, em 11 anos, que fico fora do GP de Aachen, mas não é o fim do mundo." Luiz Rocco, chefe de equipe do Brasil, disse que "não se pode escapar do erro". Justificou, dizendo que foi induzido por uma lista da FEI, fixada na parede desde terça-feira, que mostrava a classificação de Rodrigo com os dois cavalos. "Faltou preciosismo na leitura do regulamento."

Agencia Estado,

17 de junho de 2001 | 14h50

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