Peter pura paixão

Pelo menos para marcar data de apresentação do carro novo, a Sauber saiu na frente das outras. A equipe suíça, que, mesmo desligada da BMW desde 2009, só agora deixará de usar o nome da montadora alemã, anunciou para 31 de janeiro a apresentação do seu modelo C30 com motor Ferrari. Como o primeiro período de testes da pré-temporada começa no dia 7 de fevereiro, provavelmente outras equipes já terão apresentado seus modelos antes de 31 de janeiro, mas a Sauber é a primeira a anunciar sua programação.

Reginaldo Leme, O Estado de S.Paulo

07 de janeiro de 2011 | 00h00

Entretanto, o que a Sauber precisa mesmo é voltar a ser competitiva como já foi em 2007 (vice-campeã) e 2008, 3ª colocada, 10 pontos atrás da vice-campeã McLaren. Peter Sauber tem uma história curiosa. Depois de trocar um emprego de eletricista em Zurique, onde nasceu, pelo de vendedor de carros na vizinha Hinwill, ele começou a se envolver com o esporte a motor quando tinha 18 anos. Só que as corridas eram proibidas na Suíça desde a grande tragédia das 24 Horas de Le Mans (França) em 1955, que resultou na morte de 83 espectadores e outros 120 feridos em consequência de um acidente com o piloto Pierre Lavegh. O jeito era participar das competições de subida de montanha. Além de correr, ele projetava seus carros, todos conhecidos pela sigla "C" seguida de um número. Era uma homenagem à mulher dele, Christine, e os modelos "C" foram se sucedendo, passando às corridas de carros esporte fora da Suíça. O C-5 participou e liderou as 24 Horas de Le Mans em 77 e 78 e, nos anos 80 foi em um dos modelos da série, já tendo a Mercedes-Benz como parceira da Sauber, que Michael Schumacher despontou no automobilismo.

Quando chegou a vez da Fórmula-1, Peter já tinha projetado 11 modelos anteriores. Por isso, o primeiro Sauber da F-1 tem o nome de C-12. A iniciativa nasceu de uma estreita relação com a Mercedes-Benz, que, à última hora, preferiu não se envolver diretamente e inscreveu a equipe como Sauber no Mundial de 1993. Os pilotos eram o finlandês J.J. Lehto e o austríaco Karl Wendlinger. Os motores eram construídos pela Ilmor, que também era uma satélite esportiva da Mercedes e, por isso, eles foram rebatizados de Sauber. Em 94 a Mercedes abriu o jogo e a equipe correu oficialmente com a sua marca nos motores da Sauber. Mas no ano seguinte ela fechou parceria exclusiva com a McLaren e a Sauber teve de mudar para o motor Ford. Dois anos depois, passou a usar motores Ferrari rebatizados com o nome do patrocinador Petronas, estatal petrolífera da Malasia, que está entre as 100 empresas mais lucrativas do mundo e é a primeira da Ásia. De 98 em diante Petronas e Sauber construíram seus próprios motores, até que em 2005 a equipe foi vendida para a BMW.

Os cinco anos com a BMW foram os melhores da história da Sauber. Veio a primeira vitória e até a liderança momentânea do campeonato de 2008. Já tinha sido vice-campeã em 2007, embora com a metade dos pontos da Ferrari, mas em 2008 disputou ponto a ponto com McLaren e Ferrari, venceu no Canadá com Robert Kubica, que marcou outros seis pódios e terminou o ano em 3º. Porém, o objetivo da montadora alemã era estar definitivamente na briga por títulos no quinto ano do programa e, como isso não aconteceu, ela vendeu a equipe de volta para Peter Sauber. O nome BMW foi mantido como exigência da FIA para garantir a vaga no Mundial. O desempenho em 2010 foi um fracasso: sem nenhum pódio, a equipe terminou o campeonato em 8º lugar, à frente apenas da Toro Rosso e as três estreantes (Lotus, Hispania e Virgin)

Em 2011 o nome BMW sai definitivamente. A Sauber continua com os motores Ferrari e terá como pilotos o japonês Kamui Kobayashi, que terminou o último Mundial em 12.º, e estreia o mexicano Sergio Perez. O modelo, agora, já é o C-30. Uma bela história de amor por Christine e pelo esporte a motor que, de vez em quando, ainda leva o sessentão Peter Sauber a disputar subidas de montanha pilotando seu Fusca Beetle.

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