Petrobrás volta à Fórmula 1 com a Lotus

Empresa brasileira, fora da categoria em 2009 por causa da desistência da Honda, vai fornecer óleo e gasolina

Livio Oricchio, O Estadao de S.Paulo

17 de março de 2010 | 00h00

NICE

A Petrobrás está voltando à Fórmula 1, depois de um ano de interrupção. A megaempresa brasileira está para fechar contrato de abastecimento com a equipe Lotus. O principal interesse da companhia em sua volta aos patrocínios na competição é a possibilidade de desenvolver não apenas a gasolina, mas óleo lubrificante do motor e do câmbio.

A Petrobrás trabalhou com a Williams de 1998 até o fim de 2008. Tinha assinado acordo com a Honda, mas a montadora japonesa deixou a Fórmula 1 em dezembro daquele ano.

Com a confirmação do negócio com a Lotus, esperada para os próximos dias, a empresa terá de, a toque de caixa, desenvolver gasolina para o motor Cosworth e a transmissão X-Trac da Lotus. "Estamos esperando a confirmação para dar a largada na pesquisa", explicou o engenheiro Rogério Gonçalves, do Centro de Pesquisa da empresa, no Rio. Ele trabalhou no projeto de Fórmula 1 quando a empresa estava associada à Williams. "A Petrobrás está negociando com a Lotus, mas não há ainda nenhum contrato assinado", disse Gonçalves. Na prática falta apenas o anúncio: depois de um ano fora da Fórmula 1, a Petrobrás retoma seu lugar na principal competição do automobilismo mundial.

Algo melhor. Hoje as equipes que usam o motor Cosworth - Lotus, Virgin, Hispania e Williams - utilizam gasolina British Petroleum (BP) e óleo Castrol. "Para eles aceitarem usar nossos produtos, caso tudo se resolva, vamos ter de oferecer algo melhor do que eles estão usando, senão, claro, não vão concordar", disse Gonçalves.

Além de ter disponibilizado gasolina que chamou a atenção de todas as equipes da Fórmula 1, a Petrobrás forneceu óleo para a transmissão da Williams e para o motor, embora este ainda estivesse em fase experimental quando terminou a relação. Na Jordan, a empresa desenvolveu e disponibilizou gasolina, óleo para o motor e o câmbio. É essa tecnologia que interessa essencialmente à empresa, a fim de repassar aos produtos comercializados os avanços pesquisados para as pistas.

Tudo caminha para que a partir do GP da Espanha, no dia 9 de maio, em Barcelona, os carros de Jarno Trulli e Heikki Kovalainen passem a expor a marca da Petrobrás. Se os valores comentados procederem, como deve ser o caso, US$ 9 milhões (quase R$ 16 mi) num time que está estreando na Fórmula 1, apesar de o nome ser de uma lenda do Mundial, garantirão à empresa espaço significativo nos carros.

A Lotus de hoje usa apenas o nome do time que venceu com o modelo 25 os campeonatos de 1963 e 1965, com Jim Clark, o de 1968, com o modelo 49C pilotado por Graham Hill, o Mundial de 1972, com Emerson Fittipaldi no inesquecível 72D, negro e dourado, e o título de 1978, com Mario Andretti e o modelo 79, carro-asa. Todos foram carros que revolucionaram a Fórmula 1, concebidos pelo criador da Lotus, o genial engenheiro aeronáutico inglês Colin Chapman.

A gasolina e os óleos terão de passar por uma fase de experimentos no banco de provas e depois, provavelmente, nos treinos livres de sexta-feira antes de serem utilizados na classificação e corrida. Foi assim quando a Petrobrás iniciou a relação com a Williams, que tinha a Elf, francesa, como fornecedora.

Além da Lotus, existe a possibilidade de a empresa, em 2011, se associar à Red Bull, escuderia que vai disputar o título este ano, como fez em 2009, e aí as vantagens serão ainda maiores se o negócio der certo. A Red Bull, que tem acordo com a Renault, não sabe o motor que utilizará em 2011.

VÁRIAS FACES

lLotus 25 - 1963

O carro era dirigido pelo britânico Jim Clark, que pilotou a Lotus de 1960 a 1968. Ficou com o título mundial em 1963 e 1965.

O modelo deste carro, que lançou o chassi tipo monocoque, em vez de tubos soldados,

era muito mais resistente às torções

Lotus 49C - 1968

O carro era pilotado pelo também britânico Graham Hill, que se sagrou campeão em 1968.

O chassi do carro não tinha o nicho para encaixar o motor porque este passou a ser um elemento integrante do chassi, melhorando ainda mais a estabilidade

Lotus 72D - 1972

Era de frente em cunha, radiadores nas laterais, suspensão com barra de torção

Lotus 87 - 1987

Primeiro carro com suspensão ativa. As vantagens eram muitas, mas tudo ainda experimental

Lotus T127 - 2010

Depois de 16 anos fora das pistas, a escuderia volta às atividades. O carro não tem grandes novidades. A equipe conta com a dupla de pilotos Jarno Trulli (Itália) e Heikki Kovalainen (Finlândia)

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