Pezão questiona relatório que alerta sobre poluição no Rio-2016

Na quinta-feira, a agência de notícias Associated Press retomou a polêmica sobre os níveis de poluição na Baía de Guanabara, que será o local de algumas competições nos Jogos Olímpicos do ano que vem. A AP divulgou investigação que aponta para a presença de "níveis perigosamente altos de vírus e bactérias de esgoto humano em locais de competições", como a Baía de Guanabara e a Lagoa Rodrigo de Freitas.

Estadão Conteúdo

31 de julho de 2015 | 17h12

Um dia depois de a investigação ganhar repercussão internacional, o governador do Estado do Rio de Janeiro, Luiz Fernando Pezão, questionou o conteúdo e os supostos "interesses" por trás da investigação.

"Temos que tomar muito cuidado com isso, com esses relatórios, ver o que tem de real nisso. A gente sabe que tem muitas obras para serem feitas para a despoluição da baía de Guanabara, trabalhos a serem feitos na Lagoa Rodrigo de Freitas. Mas temos que ver quais são os interesses que estão por trás desses relatórios. A gente sabe que tem uma disputa séria por trás das pessoas que não querem a disputa dentro da baía de Guanabara", disse Pezão, em entrevista à Rádio Estadão.

De acordo com a investigação promovida pela AP, 150 amostras de água foram testadas para três tipos de adenovírus humano, além de rotavírus, enterovírus e coliformes fecais. As amostras apontaram níveis altos de adenovírus na Baía de Guanabara, na Lagoa Rodrigo de Freitas e na praia de Copacabana. Também apontou sinais de rotavírus, principal causa mundial de gastroenterite. Os testes foram realizados pela Universidade Feevale, de Novo Hamburgo (RS).

Pezão minimizou o resultado dos testes e lembrou dos eventos que aconteceram nos locais avaliados no ano passado, sem maiores interrupções. "Já fizemos teste no ano passado de vela na Baía de Guanabara e não teve problema nenhum. A prova transcorreu normalmente. Vai ser a única prova que vai ter dois testes, vai ter outro teste agora. Nós estamos nos adaptando para fazer uma grande prova e uma grande Olimpíada aqui, sabendo que o legado que a gente pode deixar para a Baía de Guanabara são governanças, projetos, recursos para despoluir."

Ele afirmou que o governo dará sua versão oficial sobre o estado da Baía de Guanabara nos próximos dias. "Na terça-feira, vamos lançar um programa junto com as universidades, com ambientalistas, todas as pessoas que estudam a Baía há muitos anos, mostrando a verdade que existe sobre a Baía de Guanabara, os investimentos que estão sendo feitos. Vamos botar uma agência, uma governança na Baía com todas essas pessoas. Elas vão determinar as obras que a gente vai ter aqui para a frente, projetos, vamos mostrar o que estamos fazendo de investimentos com obras dentro da baía."

DISPUTAS PARALELAS - O Instituto Estadual do Ambiente (Inea), do Rio de Janeiro, contestou os resultados dos testes e acusou a Universidade Feevale, de Novo Hamburgo, e os profissionais de buscarem notoriedade. A Feevale, por sua vez, rebateu dizendo que todo o custeio das análises e pesquisadores envolvidos foram pagos pela agência de notícias, e que os dados "são de propriedade da AP e as análises são realizadas usando os protocolos descritos na literatura científica para esse fim".

Os comitês olímpicos internacionais, principalmente o norte-americano, pedem a alteração do local das provas de vela. Aproveitando esses pedidos, a cidade de Armação de Búzios se colocou à disposição para receber a competição. Através de uma carta ao Comitê Rio-216, o município revela suas intenções de sediar a Olimpíada. Em resposta, a organização deixou claro que nenhum torneio terá seu local modificado e que tudo seguirá na capital.

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