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COI cobra Pezão por poluição na Lagoa Rodrigo de Freitas

Atletas teriam sentido problemas estomacais após contato com água

Ronald Lincoln Jr., O Estado de S. Paulo

11 de agosto de 2015 | 12h16

A suspeita de contaminação de atletas norte-americanos pela poluição das águas da Lagoa Rodrigo de Freitas foi debatida no segundo dia de reuniões da Comissão de Coordenação do Comitê Olímpico Internacional (Cocom) nesta terça-feira, no Rio. Segundo informações da agência de notícias Associated Press (AP), médicos da delegação dos Estados Unidos suspeitam que 13 atletas do país que participaram do evento-teste de remo, na última semana, sentiram problemas estomacais depois do contato com a água.

Ao deixar a reunião, que conta com membros de todas as esferas de governo envolvidas na organização dos Jogos de 2016, o governador do Rio, Luiz Fernando Pezão, admitiu que foi cobrado pelo assunto - a limpeza da Lagoa, que será palco das provas olímpicas, é responsabilidade do Estado. Mas afirmou que ainda não é possível comprovar que os atletas foram contaminados em consequência do contato com as águas da Lagoa.

"Eles (o COI) não têm certeza se foi problema de água. Falam também (de problemas) na alimentação", contou o governador. "Os testes da água mostraram que estava apta para a prova. A condição de limpeza está muito abaixo da resolução do Conama (o Conselho Nacional do Meio Ambiente) para o uso para banho."

O governador considerou ainda que o evento-teste do remo, assim como o de triatlo, realizado há duas semanas, foi um sucesso, e motivou elogios dos membros do COI. "A gente passou bem no triatlo e no remo. Vamos fazer alguns ajustes, é natural, os eventos-teste servem para isso mesmo."

BAÍA DE GUANABARA

Pezão admitiu ainda nesta terça-feira que o governo falhou em não ter dado início antes a programas de gerenciamento da despoluição da Baía de Guanabara, local que vai receber as provas de vela dos Jogos Olímpicos do ano que vem. Ele também considerou "lamentável" ter deixado passar a oportunidade de entregar o local despoluído para as competições.

Na semana passada, o governo estadual iniciou um convênio com universidades do Rio e centros de estudo para monitorar as condições de Baía de Guanabara. "Pode ter sido uma falha (ter demorado para fazer a parceria), mas nunca é tarde. As faculdades se ofereceram, se uniram. É um grande legado formatar e botar em prática o da Baía de Guanabara", considerou. 

O governador justificou ainda que a situação de poluição da Baía de Guanabara se agravou pela falta de recursos para o tratamento do esgoto despejado nas águas, trabalho de responsabilidade da Cedae (a Companhia Estadual de Águas e Esgotos) que, segundo ele, estava com problemas financeiros. "Lamentável (a poluição) sempre é. Mas a Cedae estava quebrada, dava prejuízo mensal de R$ 30 milhões, e tivemos que sanear suas contas", explicou. 

A um ano dos Jogos, o governador prometeu que a Cedae vai concluir as obras do cinturão de tratamento da Marina da Glória até dezembro, e que está em andamento a construção da unidade de tratamento de Irajá. A obra, que já sofreu vários adiamentos desde o seu início em 2012, deve ser terminada antes da Olimpíada. 

"Diversos técnicos falam que o cinturão da Marinha da Glória e a UTR de Irajá impactam de 10% a 15% na despoluição da Baía de Guanabara", afirmou Pezão. Com isso, o nível de tratamento das águas chegaria até 65%, 15% a menos do que o prometido durante a eleição para sediar os Jogos Olímpicos, em 2009. 

No próximo sábado, será dado início ao evento-teste da vela, na Baía de Guanabara. Para evitar que os atletas sejam prejudicados por lixo sólido flutuante, Pezão afirmou que 10 ecobarcos do governo já estão atuando e que outros 10 ecobarcos fornecidos por empresas parceiras vão reforçar o recolhimento durante as disputas de preparação, além do serviço de 11 ecobarreiras já instaladas.

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