Aldo Carneiro
Aldo Carneiro

Pilares são-paulinos não se sustentam

Meta para 2012 era montar um grande time, iniciar um megaprojeto para o Morumbi e obter um patrocinador de peso. Até agora, obras tímidas no estádio

PAULO GALDIERI, O Estado de S.Paulo

17 de agosto de 2012 | 03h06

Ao final do ano passado, depois de amargar a terceira temporada seguida sem títulos e de ter ficado sem a vaga na Taça Libertadores deste ano a diretoria do São Paulo se reuniu para balanço.

No encontro do Conselho Deliberativo, uma turma de conselheiros apresentou um manifesto em que apareciam três pilares fundamentais para que a temporada de 2012 não repetisse o fiasco de 2011:1) Montar um time competitivo e renovado, gastando dinheiro com contratações e não apenas aproveitando negócios de ocasião; 2)Iniciar o projeto de reforma do Estádio do Morumbi; 3) Obter uma receita recorde com patrocínio de camisa. A diretoria aceitou o desafio.

Mas eis que, oito meses depois de iniciar a busca pela construção da tríplice base idealizada para sustentar os próximos anos de conquistas e manutenção do time na vanguarda do futebol, quase nada saiu como o esperado pelos cartolas são-paulinos.

Dois dos três pilares (time competitivo e patrocínio milionário) não vingaram até agora.

A equipe, revitalizada pelo presidente Juvenal Juvêncio, com a contratação de jogadores que, ao todo, consumiu mais de R$ 40 milhões, não resultou em um time com regularidade capaz de transformá-lo em um "papa títulos". Depois da troca de técnico, da contratação de novos atletas no meio da temporada e da promoção de promessas das categorias de base, o São Paulo patina no Brasileiro e já falhou na Copa do Brasil (seu maior objetivo).

A avaliação interna até agora é de que houve um erro de conceito na montagem da equipe. Conselheiros se queixam que a diretoria reforçou mal o sistema defensivo -setor que nos anos seguidos de conquistas (2005 a 2008) era o ponto forte do time.

O técnico Ney Franco já fala que a reação do time precisa ocorrer agora. E talvez até esteja atrasada. "Para conseguirmos uma vaga na Libertadores a nossa reação já está retardada."

Com relação ao patrocínio, os departamentos envolvidos na busca por parceiros têm relatado dificuldade de fechar negócios com valores altos, conforme o estipulado. E um dos problemas é justamente o rendimento da equipe. Nem com a ajuda do empresário Roberto Justus o São Paulo conseguiu atrair um novo patrocinador principal para sua camisa, disposto a desembolsar algo entre R$ 35 milhões e R$ 45 milhões por ano.

O terceiro pilar da reviravolta tricolor (a megarreforma do estádio) foi o que mais se desenvolveu, mas teve um avanço bem mais tímido do que o esperado.

Lançado com pompa no fim do ano passado, o projeto de reforma do Morumbi previa a cobertura do estádio, a construção de uma arena multiuso para 25 mil lugares, um hotel e um novo memorial de troféus.

O grosso da obra, que engloba justamente a cobertura e será tocada pela empreiteira Andrade Gutierrez, no entanto, ainda não pôde sair do papel por problemas com autorizações de órgãos públicos. A previsão inicial era de que no máximo em maio a construção deveria começar.

"Ainda dependemos de algumas autorizações. Essa parte não depende da gente, então temos de esperar. Mas temos feito outras coisas, como a troca das cadeiras de madeira em todos os setores", disse o vice-presidente Roberto Natel, que acompanha a reforma.

O projeto do hotel, idealizado para fazer parte da engenharia financeira que fecha a conta da obra, foi obrigado a ser engavetado momentaneamente porque não houve avanço nas promessas de políticos para a alteração na Lei de Zoneamento do bairro do Morumbi, necessária para o empreendimento.

O ano planejado pelo São Paulo ainda não saiu do papel. E a cada mês que passa, a tarefa de levantar os três pilares em 2012 tem se tornado mais difícil.

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