Piloto e cartola presos no Ceará

PF e Receita Federal investigam Federação e empresas de 3 Estados por vários crimes, entre eles sonegação fiscal

Carmen Pompeu ESPECIAL PARA O ESTADO FORTALEZA, O Estado de S.Paulo

26 de novembro de 2010 | 00h00

A Federação Cearense de Automobilismo está envolvida em um escândalo. Ontem, a Polícia Federal e a Secretaria da Receita Federal deflagraram, no Ceará, a Operação Podium, que resultou na prisão de nove pessoas e a apreensão de computadores e documentos. A ação investiga suposto esquema de sonegação fiscal, crimes contra o Sistema Financeiro Nacional e corrupção de agentes públicos por dirigentes da Federação Cearense (FCA) em parceria com sete grandes grupos empresariais do Estado e de São Paulo e Rio.

O superintendente da PF no Ceará, Aldair da Rocha, não revelou os nomes dos envolvidos acusados de movimentar ilegalmente R$ 50 milhões, sendo que R$ 15 milhões foram enviados para o exterior. Mas o advogado de um dos presos, Hélio Leitão, disse que já pediu a soltura de seu cliente, o atual presidente da FCA, Haroldo Scipião Borges. "Ele não tem culpa de nada. É tudo legal e é uma prática comum entre as federações, até na Confederação Brasileira de Automobilismo"", afirmou.

O Estado apurou que outro preso é o piloto Hibernon Cisne, além de mais sete representantes das empresas acusadas. Delas, cinco são cearenses, sendo uma do ramo da construção civil e outra de revenda de carros importados; uma paulista do ramo industrial e uma carioca da construção civil. As nove pessoas presas temporariamente por cinco dias são sete do Ceará, uma do Rio e outra de São Paulo.

A Operação Podium é o resultado de dois anos de investigações da PF e da Secretária da Receita no Ceará. Esse trabalho constatou que a federação teria sido utilizada como depositária de recursos da ordem de R$ 50 milhões, provenientes do caixa de empresas cearenses, da carioca e da paulista, de 2005 a 2008, "sob o falso pretexto de patrocínio ao ex-presidente da entidade recreativa, a qual era utilizada apenas como trampolim dos recursos, eis que os valores retornavam em benefício das empresas, para pagamento de propinas a agentes públicos ou evasão de divisas", revelou o superintendente da Secretaria Regional da Receita Federal para Ceará, Piauí e Maranhão, Moacyr Mondardo Júnior.

Dos R$ 50 milhões movimentados apenas de 1% a 3% ficava na federação, disse Mondardo Júnior. O restante voltava para empresas patrocinadoras. "O que nos chamou atenção foi que dos 50 milhões de reais, 14, 15 milhões foram para o exterior. E que a Federação Paulista de Automobilismo, no mesmo período, por exemplo, movimentou R$ 10 milhões e a Federação Cearense, R$ 50 milhões"", comparou.

Foram cumpridos 32 mandados de busca e apreensão expedidos pela Justiça Federal, abrangendo residências, sedes de empresas e da federação. A execução das ordens judiciais envolve 160 policiais federais e 65 auditores da Receita Federal, no Ceará, Rio, São Paulo e Paraná.

Os investigados respondem por crimes de quadrilha ou bando, contra a ordem tributária, contra o sistema financeiro, corrupção ativa e passiva e lavagem de dinheiro. A investigação continua, pois há suspeita que o esquema continuou nos anos 2009 e 2010 agora com uma empresa de Araraquara (SP). O processo está na 11.ª Vara Federal do Ceará, sendo que o juiz Ricardo Ribeiro autorizou a quebra de sigilos telefônicos e bancários dos envolvidos.

SAÍDA DA PISTA

R$ 50

milhões foram movimentados ilegalmente pela Federação Cearense de Automobilismo e por sete empresas, de acordo com a investigação

9

pessoas foram presas por conta da Operação Podium, que teve a participação de 160 policiais federais e 65 auditores da Receita Federal

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