Pilotos revivem a emoção de ultrapassar

Em 11 etapas, ocorreram 511 ultrapassagens e até o GP do Brasil poderão ser mais de 1000

Livio Oricchio, O Estado de S.Paulo

22 de agosto de 2011 | 00h00

SÃO PAULO - Em 2009, estreou na Fórmula 1 o sistema de recuperação de energia (Kers). Sua principal função, com os cerca de 80 cavalos extras de potência disponível, era facilitar as ultrapassagens, quase inexistentes na competição. Mas depois de Jenson Button, da Brawn GP, vencer seis das sete primeiras etapas, ficou claro que a tentativa de tornar as corridas mais emocionantes fracassara. Nas 16 provas daquela temporada foram registradas apenas 211 ultrapassagens, a grande maioria realizada nos boxes, nas operações de pit stop, e não na pista.

Hoje, menos de três anos mais tarde, depois de 11 etapas, já ocorreram 511 ultrapassagens, quase duas vezes e meia a mais. A média, 46,5 por GP, já é recorde histórico. O ano com mais ultrapassagens permanece sendo o de 1984, com 666 em 16 provas, média de 41,6. Mas é realista a projeção de que até a bandeirada do GP do Brasil, 19.º e último do calendário, dia 27 de novembro, em Interlagos, a F-1 atinja a impressionante marca de mil ultrapassagens na temporada. No GP da Bélgica, domingo, em Spa-Francorchamps, os pilotos vão elevar ainda mais essa estatística, na retomada do Mundial, depois de um mês sem corridas.

O quadro é tão distinto do experimentado nos últimos campeonatos que há quem questione se as novas regras, concebidas para facilitar as ultrapassagens, não se excederam.

O kers, sozinho, pouco interveio para melhorar o espetáculo. Mas associado ao flap traseiro móvel (DRS) e, principalmente, aos pneus Pirelli, projetados para terem breve vida útil, redimensionaram a competição. "Enfrentamos adversários que estão muitas vezes com seus pneus em estágio de conservação diferente dos nossos"", explica o campeão de ultrapassagens deste ano, até agora, Mark Webber, da Red Bull (39).

Curiosamente, o australiano faz parte dos críticos à banalização da manobra. "Antes, era uma arte, você precisava fazer tudo certo para deixar o concorrente para trás. Hoje, tornaram-se muito fáceis.""

Paradoxos. Para se ter uma ideia dos paradoxos da temporada, o seu companheiro de equipe, atual campeão do mundo e líder com folga na classificação, Sebastian Vettel, realizou apenas 5 ultrapassagens este ano. "Penso que está relacionado ao fato de eu largar muitas vezes na pole position e termos evoluído nossas largadas"", afirmou Vettel ainda no GP da Alemanha. Obteve oito poles, com a da Hungria, última etapa disputada, dia 31. "Mark também enfrentou uma série de dificuldades nas primeiras voltas em algumas provas"", completou, o que ajuda a explicar o elevado número de ultrapassagens de Webber.

A mesma dinâmica vale para os pilotos da Ferrari. Fernando Alonso, que largou na frente de Felipe Massa em dez das 11 etapas, ultrapassou 14 vezes, enquanto Massa, 28. O espanhol comenta: "Quando acontece de você ficar para trás, por alguma razão, não encontra, na maioria das ocasiões, dificuldades para recuperar as colocações até chegar perto dos carros da Mercedes, McLaren e Red Bull". A partir desse ponto, diz, "é necessário que seus pneus estejam em melhor estado, caso contrário continua difícil passar"".

O espanhol demonstra não ter digerido ainda totalmente a perda do título do ano passado, na prova de Abu Dabi, por permanecer a maior parte do tempo atrás de Vitaly Petrov, da Renault, mesmo dispondo de um carro mais rápido. "Não entendo quem critica as regras deste ano. Com elas provavelmente eu teria ultrapassado Petrov e conquistado o campeonato.""

Os pneus de desgaste rápido, o flap móvel e o kers contrabalançaram os efeitos aerodinâmicos indesejáveis e que tanto dificultaram as ultrapassagens por muitos anos. "Continuamos não podendo seguir o carro à frente nas curvas, como era antes (por causa da perda de pressão aerodinâmica). O que mudou foi que agora os passamos na reta ou nas freadas por existir diferença de velocidade entre nós"", comenta Massa.

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