Pimenta verde

O Palmeiras é um mistério difícil de decifrar. Falha, quando mais se espera dele, como na semifinal da Sul-Americana de 2010. Quando está na maré baixa, como tem ocorrido nas últimas rodadas do Brasileiro, surpreende, faz apresentação impecável e surra o líder. Como aconteceu na calorenta tarde de ontem, em Presidente Prudente. Os 2 a 1 sobre o Corinthians serviram para apimentar a disputa pelo título e serviram para recolocar o próprio Palestra no prumo.

Antero Greco, O Estado de S.Paulo

29 de agosto de 2011 | 00h00

Na crônica de domingo, escrevi que palpite atrevido era apostar na vitória verde. O time de Felipão acumulava sequência ruim na Série A e estava mordido pelos 3 a 1 sobre o Vasco que não lhe garantiram permanência na Sul-Americana. Foi para o interior murchinho e, com 29 pontos, corria o risco de ver de longe o bloco principal do campeonato.

Essa mistura de ingredientes indigestos, no fim das contas, se transformou num saboroso e picante minestrone alviverde. Houve equilíbrio no primeiro tempo - o Corinthians começou melhor, fez 1 a 0, mas o Palmeiras reagiu, empatou e mostrou que não estava para brincadeira nem para passar sufoco. Na etapa final, virou e manteve o adversário sob controle, a ponto de Marcos aparecer uma vez, lá pelos 40 e tantos minutos, num chute rasteiro de Liedson.

O Palmeiras comportou-se como quem tinha consciência das limitações e sabia que jogava cartada decisiva. O Corinthians não atuou como ponteiro, expôs de novo a fase instável e os nervos - 4 derrotas, 3 empates e 2 vitórias da 11.ª rodada para cá. Só terminou o turno na dianteira, porque Flamengo e São Paulo, com empates, também derraparam.

O time de Tite há muito perdeu o brilho inicial. A enxurrada de vitórias na largada não virou lama devido à instabilidade dos demais concorrentes. Sumiu o futebol solidário, prático, objetivo e rápido que por pouco não o fez disparar e causava inveja aos desafetos. O que sobrou foi uma equipe comum, combativa como tantas, com lampejos de superioridade, mas sem pinta de campeã.

O técnico alvinegro havia prometido retomar a velocidade original, tanto que colocou Emerson no lugar de Alex. O atacante tratou de cumprir o papel que dele se esperava, correu, combateu e deixou o time em vantagem, num cruzamento que virou gol. Mas, assim como os outros companheiros, desapareceu no segundo tempo, quando a marcação palmeirense foi perfeita como poucas vezes se viu este ano.

A vigilância do Palmeiras contou com atuação formidável de Henrique, Thiago Heleno, Márcio Araújo, Gabriel Silva e Chico. Anularam não só o Emerson, como também Jorge Henrique (depois Moraes), Danilo (Willian) e Liedson. E impediram descidas dos laterais Wallace e Ramon. Enfim, contribuíram para transformar o Corinthians em presa fácil.

Na tarde tão incomum para o Palmeiras o destaque foi Luan. O mais criticado jogador do elenco suou a camisa, fechou espaços, ajudou a defesa, armou e ainda fez o gol de empate. Brilhou também o estreante Fernandão (cara e estilo do italiano Vieri): substituiu Patrick, antes do intervalo, e marcou o lindo gol da virada.

Dá para entender o Palmeiras? Não, e isso no momento pouco importa. Sua torcida comemorou os 97 anos com o melhor dos presentes, que é bater o Corinthians. No líder, sinal de alerta ligado, mesmo com o título simbólico de "campeão de inverno".

Sansão morno. Esperava mais de Santos x São Paulo. O clássico na Vila foi bom, nada além disso. O mérito tricolor foi superar a saída de Carlinhos Paraíba, expulso aos 27 minutos do primeiro tempo. E ainda contou com um gol antológico de Lucas. O campeão da Libertadores devagarinho entra nos eixos e não amargou a nona derrota graças a bonito gol de Ganso. O São Paulo, apesar de tudo, está na corrida pela taça. O Santos vai se contentar com um returno digno.

Como é?! Fifa e aliados esculhambaram o Morumbi e o riscaram do mapa do Mundial de 14. Em seguida, armaram pantomima para levar a festa de abertura para o futuro estádio do Corinthians, que já tem um monte de dinheiro público prometido para atender às exigências dos donos da bola. Daí vem Joseph Blatter e diz para o Jamil Chade que vê o Maracanã como local ideal para o pontapé inicial e para a final?! Essa turma tira onda da nossa cara. Ou é mais um teatrinho de segunda categoria?

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