Alex Silva|Estadão
Atletas do Pinheiros que representaram o Brasil no Pan de Lima Alex Silva|Estadão

Atletas do Pinheiros que representaram o Brasil no Pan de Lima Alex Silva|Estadão

Pinheiros comemora 120 anos como maior formador de atletas olímpicos

Clube foi fundado em 7 de setembro de 1899 por jovens de origem alemã

Paulo Favero , O Estado de S.Paulo

Atualizado

Atletas do Pinheiros que representaram o Brasil no Pan de Lima Alex Silva|Estadão

O Clube Pinheiros completa 120 anos neste sábado se consolidando como o principal formador de atletas olímpicos do Brasil. Com uma longa história esportiva, foi fundado em 7 de setembro de 1899 por jovens de origem alemã. Originalmente se chamava Sport Club Germania, mas mudou o nome por determinação do governo durante a Segunda Guerra Mundial, em 1942. Desde o princípio a prática esportiva esteve intrinsecamente ligada aos seus associados.

"O DNA de olimpismo do Pinheiros veio com os alemães. Quando vieram para o Brasil e fundaram o clube, com um time de futebol, uma equipe de atletismo e de remo, eles mostraram o amor que tinham pelo esporte olímpico. Isso foi passando de geração para geração", explica Arnaldo Pereira, diretor de Área de Esportes Olímpicos e Formação.

O momento é propício para comemorações no clube. A delegação de 69 atletas do clube retornou dos Jogos Pan-Americanos com a melhor campanha da história, com 45 pódios, sendo 17 medalhas de ouro, 15 de prata e 13 de bronze. Isso deixa os profissionais do clube otimistas em aumentar a quantidade de medalhas olímpicas conquistadas pelo Pinheiros na história (12 no total) nos Jogos de Tóquio, em 2020.

"Das 17 medalhas de ouro que tivemos no Pan, espero que um terço delas vire pódio nos Jogos Olímpicos. Eu tenho essa expectativa e muita convicção", comenta Arnaldo. Entre os mais cotados para subir ao pódio em Tóquio estão Darlan Romani (arremesso de peso), Rafael Silva (judô), Nathalie Moellhausen (esgrima), Marcelo Chierighini (natação), Arthur Nory e Chico Barretto (ginástica artística) e os revezamentos 4 x 100m da natação (livre) e do atletismo.

A ótima performance dos atletas do Pinheiros nos Jogos Pan-Americanos ajudaram também o Brasil a ter sua melhor campanha da história na competição. Jorge Bichara, diretor de esportes do Comitê Olímpico do Brasil (COB), elogia o trabalho feito pelo clube. "O Pinheiros desempenha historicamente um papel fundamental na formação e preparação de atletas olímpicos. Ele desenvolve um excelente trabalho neste sentido, é um modelo de sucesso, com infraestrutura adequada, investimento na qualidade e gestão profissional", diz.

O Pinheiros vai além desse DNA olímpico. Segundo o presidente Ivan Castaldi Filho, o clube é sinônimo de esporte por essência. "Temos aproximadamente 70 modalidades, entre olímpicas ou não", revela. Os bons resultados internacionais aumentam a fama do clube. "A gente fica orgulhoso e é uma justificativa para o dinheiro que o associado investe", conta.

No último ciclo olímpico, por exemplo, o Pinheiros colocou mais de R$ 150 milhões do próprio clube no esporte. Soma-se a isso mais de R$ 43 milhões da Lei de Incentivo ao Esporte. "Esse programa abriga entre 300 e 350 atletas. E o clube investe dinheiro também do seu orçamento, do seu custeio, para formação e manutenção de equipes campeãs", diz Arnaldo.

Cristiano Albino, técnico da ginástica artística, está no clube desde 1989 como atleta e começou a trabalhar em 2000 como treinador. "Aqui se tem todo suporte necessário para que se conquiste grandes resultados. Estrutura necessária para trabalhar, com grupo multidisciplinar. Desde que comecei a trabalhar aqui, sempre foi melhorando cada vez mais, em todas as modalidades. O Pinheiros investe nisso e dá o suporte necessário para a gente obter os melhores resultados", afirma.

O investimento acaba indo para todas as modalidades e a melhoria de equipamentos e infraestrutura é rotineira. Também existe uma busca por talentos em outros lugares e grandes revelações costumam entrar na mira do clube. O processo de iniciação esportiva vai dos 4 aos 14 anos. Fernando Reis, do levantamento de peso e considerado o homem mais forte das Américas, começou lá quando era pequenininho.

Quem também tem uma longa história com o Pinheiros é Gustavo Guimarães, o Grummy, da seleção brasileira de polo aquático. Seu avô João Gonçalves Filho foi porta-bandeira do Brasil nos Jogos Olímpicos na Cidade do México, em 1968. "Para mim é um orgulho representar o Pinheiros. Eu nasci aqui dentro, meu avô, minha avó, meu pai, minha mãe, todos eles foram atletas e técnicos do clube. Comecei com meu irmão bem novo aqui, é o clube mais olímpico do Brasil, tem estrutura, apoia o esporte, e isso faz com que a gente se motive mais."

Ele lembra que seu avô contava boas histórias de quando era atleta. "Todo final de semana eu ia na casa do meu avô, que era na mesma rua, e ele falava muito daquela época. Ele me disse que o maior orgulho da vida dele foi ter sido porta-bandeira do Brasil nos Jogos. E dali que veio meu sonho de ser um atleta olímpico. Quando o Brasil foi escolhido país-sede, estava aqui dentro do clube e naquele dia vi que era minha chance. Deu certo no Rio-2016, então acredito que o exemplo que tive em casa e os exemplos que vi fizeram a diferença", continua.

Quem também reforça o importante papel do clube no esporte é Heitor Shimbo, da esgrima, medalha de prata no Pan. Ele está no Pinheiros desde 2005. "O grande diferencial aqui é a capacidade de investir nos atletas de diferentes modalidades. Além da história do clube, que sempre aposta na base e oferece toda estrutura, há uma mentalidade que favorece o investimento no esporte de alto rendimento. Há sempre melhorias nas condições de treinamento, novos equipamentos, fora a parte de comissão técnica, com psicólogo, preparador físico, entre outros."

Aos 120 anos, o Pinheiros mira o futuro e espera se consolidar ainda mais como principal formador de atletas olímpicos. O clube que teve Manuel dos Santos, João do Pulo, Gustavo Borges e Cesar Cielo, entre outros, caminha para ajudar o Time Brasil nos Jogos de Tóquio. "Nós fizemos uma ampla pesquisa há dois anos e o que deu sobre esporte foi 'orgulho'. O pinheirense tem orgulho de seus atletas e medalhistas, e do espelho que eles são para os jovens", conclui Arnaldo Pereira.

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    ‘Minha meta é ganhar uma medalha nos Jogos de Tóquio’

    Nascida na Itália, mas naturalizada brasileira, esgrimista fala sobre seus bons resultados e projeta disputa olímpica no Japão

    Entrevista com

    Nathalie Moellhausen

    Paulo Favero, O Estado de S.Paulo

    06 de setembro de 2019 | 17h56

    Nathalie Moellhausen nasceu em Milão, mas por possuir dupla nacionalidade, escolheu o Brasil para competir. Aos 33 anos, vive seu melhor momento na esgrima e se sagrou campeã mundial na Hungria. Agora, lida com a responsabilidade de um grande resultado no currículo e projeta uma boa campanha nos Jogos Olímpicos de Tóquio, no ano que vem. Entre sua rotina pesada de treinos, quer promover ainda mais sua modalidade no País.

    O que mudou na sua vida após o título mundial?

    Muitas coisas. Primeiro o fato de já estar aqui no Brasil e poder viver esse momento aqui, o País que me acolheu. Isso é uma grande mudança na minha vida. Desde que ganhei o Mundial foi uma correria enorme, com eventos e situações novas que eu precisei assumir. Sabia que seria assim, mas viver tudo isso é diferente. Minha responsabilidade mudou principalmente em relação à minha missão com a esgrima no Brasil.

    O que se pode fazer no Brasil para que a esgrima seja mais popular?

    Eu acho que precisam ser feitas ações de disciplina esportiva, mas existem muitas formas de divulgação através da arte, que é o método que eu uso. É uma forma de comunicação mais fácil para as pessoas entenderem os valores dessa disciplina. Existem várias formas de provocar interesse no público que não conhece a esgrima. A minha responsabilidade agora é divulgar o esporte para que ele seja mais familiar a todos. Acho que a esgrima está crescendo, mas seria necessário ter mais projetos para as futuras gerações para que o esporte seja mais forte nos próximos anos.

    Como é um dia normal de uma atleta de elite como você?

    Eu treino de três a cinco horas por dia, começo muito cedo pela manhã e às vezes pratico também à tarde. Faço treinamento físico e técnico com aula de esgrima, de passos e lutas. É uma rotina bem carregada principalmente no aspecto mental. Tudo isso ocupa muito tempo do dia.

    O que você mais gosta aqui no Brasil?

    Eu gosto da energia positiva do País. Realmente, essa forma de olhar para frente e torcer de forma muito carinhosa, como vivenciei nos Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro, é diferente da Europa. A gente aqui não se apega tanto ao passado e projeta mais o futuro. Isso é muito bom.

    Apesar de chegar em Lima como campeã mundial, você não ganhou o ouro no Pan. Isso é comum na esgrima?

    Eu conheço muito bem minha disciplina. Um dia você é campeã do mundo, no outro você pode perder uma competição mais cedo. Estou preparada para isso. Meu treinador me diz que são tantos anos esperando a medalha de ouro que a ficha demora um pouco para cair. O Pan-Americano veio na sequência, a atleta que eu perdi é uma americana que eu não costumo ir tão bem contra ela. Fui campeã do mundo, mas não ganhei de todas as 260 atletas que estavam lá. Foi o dia certo e é bom para saber que precisa ter os pés no chão e saber que sempre pode perder.

    Para os Jogos Olímpicos de Tóquio, qual é sua ambição?

    Minha meta é fazer o melhor naquele dia e tentar ganhar uma outra medalha. Claro que esse é meu sonho, tentar ganhar outro título importante nas duas maiores competições, mas sei que tenho de ir passo a passo. É muito longe, tenho de trabalhar dia a dia para ver se consigo fazer esse resultado no Japão.

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