Pistorius planejou crime, diz Promotoria

Para promotores, atleta sul-africano premeditou morte da namorada, Reeva Steenkamp, que levou quatro tiros

O Estado de S.Paulo

16 de fevereiro de 2013 | 02h04

PRETÓRIA - A Promotoria de Pretória acusou ontem o atleta sul-africano Oscar Pistorius de ter premeditado a morte da namorada, Reeva Steemkamp, de 29 anos. Na quinta-feira, a modelo foi assassinada com quatro tiros na casa de Pistorius, localizada em um condomínio de luxo da cidade - apenas os dois estavam no imóvel no momento do crime.

Os primeiros relatos do incidente davam conta de que o atleta havia confundido a namorada com um ladrão, mas a polícia disse ter apurado que vizinhos ouviram ruídos antes dos tiros e que havia um histórico de "incidentes domésticos" na casa de Pistorius. O jornal sul-africano Beeld publicou ontem que o corpo de Steenkamp foi encontrado no banheiro e que a porta tinha buracos de balas, o que desmonta a tese de que a modelo foi assassinada por engano.

A denúncia contra o atleta foi apresentada pelos promotores Gerrie Nel e Andrea Johnson, que já se declararam contra o pagamento de fiança. Pistorius foi submetido a um exame de sangue para identificar se estava alcoolizado ou sob efeito de alguma droga no momento do crime.

O atleta foi ontem ao Tribunal de Pretória para prestar depoimento e não disse nada. Ele manteve-se o tempo todo de cabeça baixa diante do juiz Desmond Nair. O momento mais tenso ocorreu quando a Promotoria o chamou de assassino e argumentou que o crime foi premeditado, e não um acidente. Ele começou a chorar ao ouvir as acusações, escondendo o rosto com as mãos. Seu pai, Henke, e seu irmão, Carl, ficaram sentados imediatamente atrás dele e deram tapinhas nas suas costas.

O juiz manteve o pedido de prisão preventiva até terça-feira, quando os advogados de Pistorius deverão apresentar a defesa. Até lá, ele ficará detido em uma delegacia - o procedimento de praxe seria levá-lo a um presídio.

Mais de cem pessoas lotaram o Tribunal de Pretória para acompanhar o depoimento de Pistorius. O advogado de defesa pediu a saída da imprensa do local, alegando que o seu cliente estava em um "estado extremo de nervosismo". O juiz decidiu que as emissoras de TV não poderiam gravar imagens e que os fotógrafos só deveriam tirar fotos após a sessão.

Familiares do atleta e a empresa que agencia a sua carreira emitiram nota oficial contestando a acusação. "O suposto assassinato é contestado em fortes termos. Estes são procedimentos legais que devem tomar seu curso através do processo de investigação pela polícia, com recolhimento de provas e através do sistema judicial sul-africano", diz trecho do comunicado.

ÍDOLO EM CRISE

Pistorius é reverenciado na África do Sul como um exemplo de superação. Ele nasceu sem um osso nas duas pernas, que foram amputadas acima dos joelhos. No ano passado, em Londres, ele se tornou o primeiro atleta biamputado a disputar uma competição olímpica de atletismo, chegando à semifinal na prova dos 400m.

Nos Jogos Paralímpicos, o sul-africano ganhou ouro nos 400m e no revezamento 4x400m rasos. Nos 200m, ele ficou com a medalha de prata após ser superado pelo brasileiro Alan Fonteles. Pistorius usa próteses de fibra de carbono para correr.

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