Infográfico/AE
Infográfico/AE

Pits fazem GP virar 'corrida maluca' na Fórmula 1

Provas ganham emoção com tantas paradas e ultrapassagens, porém se tornam mais difíceis de serem entendidas

Livio Oricchio, O Estado de S.Paulo

16 de maio de 2011 | 00h00

Nas quatro etapas até agora - Austrália, Malásia, China e Turquia - os 24 pilotos realizaram impressionantes 244 pit stops e 205 ultrapassagens. O clímax desse frenesi ocorreu no GP da Turquia, dia 8. Ao longo das 58 voltas da prova, vencida por Sebastian Vettel, da Red Bull, atual campeão do mundo e líder destacado da temporada, foram estabelecidos dois novos recordes absolutos na história de 62 anos da Fórmula 1: 81 pit stops e 79 ultrapassagens.

"Ficou emocionante, não?", perguntou aos jornalistas Bernie Ecclestone, promotor da competição, em Istambul, depois da corrida. Se os telespectadores, a quem essencialmente o evento é endereçado, pudessem responder, Ecclestone provavelmente ouviria: "Sim, mas não dava para saber quem era o segundo, terceiro ou quarto colocados, por exemplo, tantas são as mudanças nas classificações".

Essa é a impressão de parte importante dos milhões de fãs que acompanham as transmissões. A Fórmula 1 ganhou emoção ao mesmo tempo em que as corridas se tornaram difíceis de serem compreendidas. "Viajamos de um extremo ao outro. No último campeonato era uma monotonia só, com uma parada nos boxes. Mas agora as provas tornaram-se imprevisíveis demais. A hora é de ajuste", comenta Christian Horner, diretor da Red Bull.

As manifestações contrárias ao que ocorreu em Istambul vêm até do diretor da Pirelli, Paul Hembery. O inglês concordou que o GP da Turquia foi além do que deveria. "Fomos pegos de surpresa. Quatro pit stops representam muito. Trabalhamos para dois ou três", avaliou.

Luca di Montezemolo, presidente da Ferrari, mostra-se crítico voraz do atual formato. "É artificialismo demais. 80 pit stops, o que é isso? Quero ver disputa na pista, não nos boxes." Montezemolo diz compreender a reação de boa parte dos torcedores: "As pessoas não entendem mais as provas porque quando os pilotos deixam os boxes, após os pit stops, ninguém mais sabe quais são as suas colocações".

Mais ultrapassagens. De modo geral, porém, os pilotos gostaram das novas regras. Atendendo solicitação de Ecclestone, a Pirelli produz pneus com autonomia para 10, 12, 15 voltas apenas, na média. Além disso, a FIA introduziu o flap traseiro móvel e a volta do sistema de recuperação de energia (Kers). Todos esses elementos facilitaram sobremaneira o que mais faltava nos últimos anos: ultrapassagens.

O recorde anterior era o do GP dos Estados Unidos de 1983, em Long Beach, também com 79 ultrapassagens, mas com 26 carros na pista e não 23, como em Istambul. Timo Glock, da Virgin, não largou na Turquia. No ano passado, no total, ocorreram, em 19 etapas, 452 ultrapassagens. Em 2009, nas 17 provas, 215. Já no ranking dos pit stops, a melhor marcar até Istambul era do GP da Europa de 2007, em Nurburgring, Alemanha, com 75, num GP que choveu, depois o asfalto secou e voltou a ficar molhado.

"Nos divertimos mais agora, é verdade, mas sinto falta de não poder exigir tudo do carro o tempo todo, por ter de preservar os pneus", comenta Mark Webber, companheiro de Vettel.

Michael Schumacher considera que hoje há mais justiça: "Alonso perdeu o campeonato do ano passado por não poder ultrapassar Petrov, mesmo sendo mais rápido. Agora isso não aconteceria", afirma o piloto. Mas ele também vê um lado negativo: "A Fórmula 1 ficou lenta. Somos bem menos exigidos fisicamente. Eu pilotava carros mais rápidos dez anos atrás", garante.

Tudo o que sabemos sobre:
Fórmula 1

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.