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Planejamento urbano, um jogo de ambições para os Jogos de 2016

Projetos que englobam obras em quatro áreas da cidade são alvo de inúmeras críticas

Heloisa Aruth Sturm, O Estado de S.Paulo

13 Agosto 2012 | 03h07

RIO - A impressão é de um grande canteiro de obras. O Rio passa por transformações urbanísticas para receber os Jogos Olímpicos de 2016. Ao contrário de Londres, que concentrou as revitalizações em uma região específica da cidade, no Rio as mudanças são pulverizadas e englobam quatro grandes áreas - Barra da Tijuca, na zona oeste, Maracanã e Deodoro, na zona norte, e região portuária, no centro. São transformações que interferem diretamente na vida de 2 milhões de habitantes (ou um terço da população carioca).

"Nossa visão estratégica é que em 2020 o Rio seja a melhor cidade no hemisfério sul para se viver, trabalhar e visitar", diz Maria Silvia Bastos Marques, presidente da Empresa Olímpica Municipal (EOM), criada pela Prefeitura para coordenar a execução dos projetos relacionados à preparação para os Jogos de 2016.

A ambição é grande. As transformações mais nítidas ocorrem atualmente na região portuária do Rio. Ali, um projeto de R$ 8 bilhões, batizado de Porto Maravilha, está sendo implantado para recuperar uma área degradada. A expectativa da Prefeitura é mais que triplicar o número de habitantes na região - de 28 mil para 100 mil pessoas em dez anos - e aumentar em 700 mil a população flutuante diária.

 

Dúvidas. O projeto mais controverso no momento é o que prevê a demolição do Elevado da Perimetral, uma espécie de Minhocão carioca. Críticos afirmam que as projeções consideradas no dimensionamento do fluxo do trânsito estão equivocadas. Há também os que acham que a obra é desnecessária, com exceção do trecho que passa sobre o centro histórico, próximo à Praça XV, para valorizar a paisagem da ár.

E para ligar todas essas regiões de competição dos Jogos, o maior desafio é propiciar um sistema de transportes que permita a integração e facilite a mobilidade urbana. Três projetos estão sendo executados atualmente. O primeiro deles é o VLT (Veículo Leve sobre Trilhos), que será construído parcialmente com recursos federais do PAC da Mobilidade e complementado por Parceria Público-Privada (PPP), atualmente em fase de licitação. Os novos bondes circularão em 30 km de vias e passarão por 42 estações. Duas das seis linhas previstas entrarão em funcionamento em 2014.

 

O segundo sistema em implantação, o BRT (Bus Rapid Transit, ou Transporte Rápido por Ônibus), foi criado pelo urbanista Jaime Lerner, em 1974, na época em que foi prefeito de Curitiba. Agora, está sendo concebido para operar no Rio, com muitos superlativos: serão R$ 5,2 bilhões em investimentos, 150 km de vias, 147 estações, e a promessa de transportar 1,6 milhão de passageiros por dia.

A expansão do metrô é a terceira aposta para garantir a mobilidade nos Jogos. A Linha 4, com 15 quilômetros de extensão e seis estações, deverá ser concluída em dezembro de 2015. A expectativa é beneficiar 300 mil pessoas por dia e retirar das ruas cerca de 2 mil veículos nos horários de pico. Orçada em R$ 5,6 bilhões, a expansão é alvo de críticas, já que não respeitará o traçado original do projeto criado nos anos 1970, e ainda obrigará o fechamento de duas estações na zona sul (Cantagalo, em Copacabana, e General Osório, em Ipanema), durante um ano, para as obras.

Planejamento. A cidade ainda tem na paisagem erros cometidos na preparação para os Jogos Pan-Americanos de 2007. Algumas instalações construídas na época, como o Parque Aquático Maria Lenk e o Velódromo, terão de passar por modificações profundas para se adequarem aos requisitos do COI. A Vila do Pan, na Barra, tem apenas metade dos apartamentos ocupada hoje, depois de problemas no solo da área que estava "afundando". Para a urbanista Denise Barcellos Pinheiro Machado, diretora da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), falta um estudo mais profundo da cidade. "As coisas vão acontecendo muito mais conforme as oportunidades do que por meio de uma visão mais macro, mais pensada".

De acordo com a Empresa Olímpica Municipal (EOM), na fase de candidatura do Rio à sede dos Jogos, a organização se preocupou em identificar quais equipamentos seriam temporários e quais seriam permanentes, para dar a correta destinação das construções no futuro.

O Parque Olímpico, por exemplo, deve se transformar em um bairro do tamanho equivalente à metade do Parque do Ibirapuera. O Porto Olímpico, área de 850 mil metros quadrados na zona portuária, que abrigará as vilas de Mídia e de Árbitros, além de instalações olímpicas temporárias, será um condomínio residencial, assim como a Vila dos Atletas, em construção na Barra da Tijuca.

A inovação no planejamento fica por conta dos equipamentos temporários, onde foi adotado o conceito de "arquitetura nômade": o que antes era instalação esportiva passa a ter outros usos, em outros locais. A arena de handebol, por exemplo, será transformada em quatro escolas de 60 salas de aula, ainda sem local definido. Outros temporários se tornarão bibliotecas, creches, teatros ou estádios esportivos após 2016.

"A premissa da Prefeitura para a Olimpíada é que os Jogos devem servir à cidade, e não a cidade aos Jogos. Estamos aproveitando o senso de urgência, trazido pelos eventos que o Rio vai sediar até 2016, para transformar nossa cidade", afirma Maria Silvia Bastos Marques, presidente da EOM.

Legado. Para além do aspecto material, a Olimpíada trará como legado uma maior visibilidade ao Rio e o aumento da autoestima da população, na avaliação de Denise Barcellos. "Em termos arquitetônicos, o Rio já terá o suficiente. Agora precisa investir em diminuir as diferenças, investir em coisas que não apareçam, e essa é a dificuldade", acredita.

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