Plano para resgatar autoestima de Cielo começa hoje, no Rio

Treinador estipula metas para manter campeão olímpico motivado. Ideia é chegar bem a Dubai e esquecer o Pan-Pacífico

Valéria Zukeran, O Estado de S.Paulo

20 de setembro de 2010 | 00h00

O Troféu José Finkel, competição em piscina curta (25 metros) que começa hoje, às 18 horas, no Parque Aquático Maria Lenk, no Rio, marcará o início de um desafio para o técnico Marco Antônio Veiga, o Marcão. O treinador do Flamengo terá a responsabilidade de melhorar o ânimo e a forma física do campeão olímpico e mundial Cesar Cielo de maneira a fazê-lo superar, pelo menos em parte, as dificuldades enfrentadas este ano, quando não conseguiu manter a hegemonia nas principais provas do calendário internacional.

"Acho que será importante ter o Marcão por perto durante os treinos no Rio até o fim do ano porque ele é um cara que, no trabalho diário, fica bastante à borda da piscina, falando com o atleta. Acho que é justamente o que estou precisando nesse momento", diz Cielo. Logo depois do Torneio Pan-Pacífico, quando foi superado tanto nas provas de 50 metros quanto nas de 100 m livre em piscina longa (50 metros), o nadador admitiu que, sem a presença constante do técnico australiano Brett Hawke em suas atividades diárias - teve de assumir novas funções na universidade de Auburn - nos Estados Unidos, não vinha treinando com a mesma intensidade.

Marcão não reclama do desafio que terá de enfrentar, dificultado pelo fato de que Cielo está praticamente dois anos sem competir em piscina curta - a etapa brasileira da Copa do Mundo, disputada há uma semana, foi sua primeira prova do gênero desde 2008 - e precisará se readaptar. Ao contrário, já planeja o que vai fazer com o nadador, que conhece desde os tempos em que trabalhava no Pinheiros (foi para o Flamengo no início do ano). O técnico diz que é difícil para Cielo manter o mesmo grau de entusiasmo para treinar depois das conquistas acumuladas nos últimos dois anos. "A ideia é estabelecer metas para motivá-lo e, para este fim de ano, estabelecemos que serão a vitória nos 50 e 100 metros livres do Mundial (de piscina curta) de Dubai em dezembro", conta Marcão.

O auge físico do ano passado, quando Cielo ganhou duas medalhas de ouro no Mundial de Roma, não será alcançado, mas o técnico acredita que é possível melhorar a resistência do atleta de forma a que ele não volte a repetir os problemas apresentados no Pan-Pacífico, quando "morria" nos metros finais.

"Não tem muito segredo. Vamos ter de aumentar a intensidade do trabalho." Para isso, o técnico confia que seu estilo, de incentivar os atletas à borda da piscina, será particularmente útil. "E eu também espero trabalhar o psicológico do Cesão. Sua autoestima foi um pouco afetada pelo que aconteceu em Irvine."

Cielo poderá ser um trunfo importante do Flamengo no Troféu José Finkel. Entre os atrativos da competição - última chance de os brasileiros atingirem índices para o Mundial de Dubai - está o fato de o clube da Gávea estar empatado em número de títulos por equipe com o Pinheiros: cada um ganhou 12 vezes.

Hoje haverá eliminatórias dos 200 m peito masculino e feminino, 50 m livre (M e F), 800 m livre (F), 1.500 m livre (M) e revezamento 4 x 50 m livre (M e F).

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