Plateia de farda

Em sua primeira crise, Olimpíada de Londres chama soldados para preencher arquibancadas vazias. Organização culpa 'família olímpica' e patrocinadores

JAMIL CHADE , ENVIADO ESPECIAL / LONDRES, O Estado de S.Paulo

30 de julho de 2012 | 03h04

Os britânicos gastaram bilhões de euros nos Jogos de 2012 e prometeram ao COI uma festa em cada uma das modalidades. Mas sofrem para conseguiu lotar os estádios, em meio a uma recessão econômica e troca de acusações. Cerca de 120 mil ingressos estão encalhados e membros do governo britânico insistem que os lugares vazios precisam ser distribuídos gratuitamente.

Sebastian Coe, presidente do Comitê Organizador, pediu ontem às Forças Armadas para usar os soldados que garantem a segurança do evento para preencher os locais vazios, sempre que estiverem de folga. Ontem, nas competições de ginástica e até no jogo de basquete da seleção americana, os soldados já foram destacados.

Em pleno fim de semana de verão em Londres, o público lotou praças nas ruas da cidade para ver competições como o ciclismo, pelas ruas londrinas. As autoridades estimam que 2 milhões de pessoas tomaram as ruas para ver as provas "públicas". Milhares de pessoas sem ingressos também lotaram as praças com telões.

Mas, no Parque Olímpico, diversas instalações sofriam para preencher os lugares. "Vamos fazer o possível para preencher esses locais o mais rapidamente possível", disse Coe. Ele garante que o pedido aos militares não é uma "mobilização de tropas", mas apenas um "oferecimento de lugares". Além dos militares, professores e estudantes de colégios locais estão recebendo ingressos para ajudar no esforço de garantir plateia aos eventos. O público também ganhou descontos, com ingressos de até 1 libra esterlina para crianças.

Para o ministro de Cultura britânico, Jeremy Hunt, ter assentos vazios é "muito decepcionante". Hunt culpou os patrocinadores de não estarem usando as entradas às quais têm direito. Visa e Coca Cola se defenderam, alegando que a culpa não é deles.

Já o COI e o Comitê Organizador Local têm outra explicação: os lugares vazios estariam nas alas destinadas a pessoas credenciadas, o que não convenceu políticos no país. Para os organizadores, a culpa é da "família olimpica", dirigentes e convidados de federações que não estariam usando os ingressos que ganham.

Mas, além de uma imagem ruim para Londres, o vazio nas arquibancadas é visto pelo Comitê Olímpico Britânico como problema para os atletas locais. Quanto mais gente, maiores são as chances de os atletas se entusiasmarem, aumentando a chance de medalhas. "Precisamos de todos os lugares preenchidos. Devemos isso aos atletas e ao país", disse ao Estado o presidente do Comitê Olímpico Britânico, Colin Moynihan.

A frustração se soma à preocupação dos dirigentes ingleses com sua própria atuação. Os anfitriões não ganharam nenhuma medalha no primeiro dia de competições, mesmo tendo manobrado o calendário para colocar já no primeiro dia o ciclismo, prova em que poderiam subir ao pódio. Ontem, ganharam duas medalhas e estão apenas na 16.ª posição. "Serão os Jogos mais competitivos do mundo e ganhar medalhas será muito difícil", alegou Andy Hunt, diretor esportivo do Comitê Britânico. O temor dos organizadores é de que, sem medalhas, o público acabe desanimando. Em média, os atletas ganham até 32% de medalhas quando jogam em casa.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.