Platini apóia CBF, mas quer favor

Presidente da Uefa planeja aliança para acabar com o rodízio de continentes na organização das futuras Copas

Jamil Chade, GENEBRA, O Estadao de S.Paulo

27 de outubro de 2007 | 00h00

O presidente da Uefa, Michel Platini, já confessou a pessoas próximas a ele que acredita que o Brasil está pronto para organizar a Copa do Mundo de 2014 e que apoiará a CBF em sua campanha para ser sede da competição. Em troca, quer o apoio do Brasil para que a rotação entre os continentes que organizam o evento seja abolida.Na próxima terça-feira, mais que a escolha da sede de 2014, a Fifa definirá qual será o formato da seleção de sedes para as próximas décadas. A Uefa insiste que não há mais espaço para que a Copa fique reservada apenas a um continente a cada quatro anos. "A partir de 2018, a concorrência deve ser aberta a todos", afirmou William Gaillard, porta-voz da Uefa.Na realidade, uma verdadeira batalha nos bastidores já ocorre em Zurique entre as diferentes federações. A idéia da Uefa é a de apoiar a proposta do presidente da Fifa, Joseph Blatter, de acabar com o sistema de rotação. Para 2014, Blatter já reconheceu que a Fifa ficou em uma situação "desconfortável" ao contar apenas com um candidato, o Brasil.Para 2018, China, Estados Unidos, Bélgica, Holanda, Rússia, Austrália e México já indicaram à Fifa que teriam interesse em ser sede da competição. A entidade, portanto, passaria a adotar o mesmo sistema do Comitê Olímpico Internacional (COI), que abre a qualquer um de seus membros a possibilidade de organizar o evento a cada quatro anos.POBRESUma resistência poderia vir dos países mais pobres, que temem ser completamente descartados de qualquer chance de organizarem competições. A Uefa alega que essa já é a realidade. "Na África, a Copa está indo para o país mais rico do continente, que é a África do Sul em 2010. Em 2014, o Brasil será escolhido e é a maior economia. Não há como as economias menores concorrerem hoje diante desses atores", afirmou William Gaillard.Para conseguir o apoio brasileiro, a Uefa não economiza elogios à CBF. "Já estava mais que na hora de a Copa do Mundo ir ao Brasil", afirmou Gaillard. "Há um consenso de que o Mundial deve ir mesmo ao Brasil, um país que conta com 180 milhões de pessoas, é uma economia em plena expansão e tem o futebol como algo central na sociedade", disse. "Não vemos porque o Brasil não teria a capacidade de gerenciar o evento."

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