PM admite que redução de cotas aumentou a tensão nos estádios

Medida de limitar ingressos para torcida visitante tem efeito totalmente contrário ao esperado pelas autoridades

Amanda Romanelli e Fábio Hecico, O Estadao de S.Paulo

24 de março de 2009 | 00h00

A restrição no número de torcedores visitantes nos clássicos paulistas teve efeito totalmente contrário ao esperado pelo Ministério Público Estadual e pela Polícia Militar: os episódios de violência que, em tese, deveriam diminuir, acabaram aumentando. Quem atesta a crescente hostilidade é o major José Balestiero Filho, subcomandante do 2º Batalhão de Choque.Balestiero participou do comando dos clássicos entre São Paulo e Corinthians, dia 15 de fevereiro, no Morumbi, e Corinthians e Santos, anteontem, no Pacaembu. Em ambas as partidas houve enfrentamento da torcida visitante (em número muito inferior) com a PM. "Há um clima hostil. Os torcedores não estão aceitando a restrição de ingressos", afirmou o major. "Não posso dizer com 100% de certeza de que esse foi o motivo para o que aconteceu no Pacaembu. Mas no Morumbi foi uma demonstração categórica." Ainda de acordo com o oficial, a PM não encontrou explicação para a briga de anteontem. O assunto foi discutido em uma reunião informal realizada ontem. "Foi uma ação inesperada. Mas ainda faremos uma reunião formal com os envolvidos, para tentar achar um denominador comum."Com a experiência de quem já esteve no comando do 2º BP Choque e hoje é responsável pelo departamento de prevenção à violência da Federação Paulista de Futebol (FPF), o coronel Marcos Marinho afirmou, com certo cuidado, que houve excesso na atuação de alguns policiais. "Houve um pequeno exagero na reação", avaliou. "Assim que se deu a dispersão dos torcedores, eles (os policiais) poderiam ter parado (a ação)."O número cada vez menor de rivais no estádio do mandante é apontado como uma das soluções para diminuir a violência. O promotor Paulo Castilho é ferrenho defensor da cota de apenas 5% - o regulamento prevê 10% - dos ingressos para os visitantes. Justifica que a PM teria maior facilidade para controlar um grupo restrito. Mas não é isso que tem acontecido.Os 4,9 mil corintianos que foram ao Morumbi e os 2,1 mil santistas que estiveram no Pacaembu deram muito trabalho à PM. Coincidência ou não, a maior parte desses torcedores é ligada às torcidas uniformizadas. Os presidentes de Corinthians e Santos, Andrés Sanchez e Marcelo Teixeira, admitiram ter repassado a maioria dos ingressos às agremiações. SÁBADO, OUTRO CLÁSSICOO último clássico da fase de classificação do Campeonato Paulista será realizado no sábado. São Paulo e Palmeiras se enfrentam no Morumbi. Mais uma vez, a torcida visitante terá direito a apenas 10% dos ingressos.O comando da PM adianta: haverá reforço na segurança. "Vamos aumentar o efetivo no Morumbi", comentou Balestiero. A expectativa da FPF, contudo, é de que não haja bate-boca entre dirigentes dos dois clubes antes do jogo. Isso porque o Palmeiras aceitou a restrição no número de entradas."Achamos os 10% justos e não vamos lutar por mais. Se o São Paulo quiser dar, vai ser por livre iniciativa. Nosso estádio é menor, e sempre damos 10% aos visitantes. Não há motivo para criar clima de guerra", admitiu Toninho Cecílio, diretor de futebol do Palmeiras.

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