Pneus agitam F-1

Além de criar quatro novos compostos de pneus para a temporada de 2013, a Pirelli abre o Mundial no circuito de Melbourne, Austrália, escolhendo dois tipos que não são os mesmos do ano passado. A ideia é ter uma diferença grande de performance entre os dois para que a estratégia de cada equipe seja decisiva no resultado. No ano passado, com os pneus médios e macios, a corrida teve 41 pit stops (média de dois por carro) e menos ultrapassagens do que se esperava. Por isso, a opção da Pirelli para este ano, com a concordância das equipes, foi usar os médios (identificados pela faixa branca) e os supermacios (faixa vermelha). É a primeira vez que os supermacios serão usados neste GP.

Reginaldo Leme, O Estado de S.Paulo

16 de fevereiro de 2013 | 02h05

Sem grandes mudanças no regulamento, a F-1 tende a ter nos pneus o diferencial que pode decidir uma corrida. É certo que a Pirelli produziu quatro tipos de pneus de compostos mais macios que os de 2012 atendendo a um pedido dos engenheiros, que reclamavam da dificuldade de se atingir a temperatura ideal de funcionamento pleno dos pneus. Bastou o primeiro período de testes em Jerez para os pilotos perceberem que os novos compostos permitem alcançar rapidamente essa temperatura e que, além disso, o período de aderência máxima do pneu é mais prolongado.

Os tipos duros e os macios foram projetados para render o máximo em temperaturas acima dos 100 graus centígrados. Os médios e os supermacios, a partir de 90 graus e não passando muito de 100. A diferença de desempenho entre os diferentes compostos é maior este ano, nunca abaixo de meio segundo por volta. Visualmente há também uma mudança nos pneus duros, que antes eram identificados por uma faixa cinza, difícil de ser vista com o carro em movimento mesmo na televisão. Agora eles têm uma faixa laranja. Até no peso há diferença. Como o novo tipo de estrutura exigiu mais borracha, os pneus agora são mais pesados e, em consequência disso, até o peso mínimo dos carros no regulamento mudou de 640 para 642 quilos.

Graças à maior degradação de borracha, espera-se que o número de pit stops seja maior e, consequentemente, haja mais ultrapassagens. Dificilmente será alcançado o recorde histórico de 2011, primeiro ano da Pirelli, quando o campeonato teve 1.150 ultrapassagens (125 apenas na corrida da Turquia). Isso ocorreu porque, na época, as equipes se surpreenderam com a alta degradação dos pneus, uma novidade sugerida por Bernie Ecclestone. Hoje todos já aprenderam a lidar com isso. Na semana de testes em Jerez mesmo os pneus mais duros tiveram um desgaste elevado.

A distribuição dos pneus entre as equipes continua igual. Cada carro recebe 11 jogos de pneus de pista seca (todos identificados por um código de barra) para todo o fim de semana. A equipe usa como quiser, sempre com a preocupação de poupar especialmente os mais macios para a corrida. Desses 11 jogos, seis são do tipo mais duro e cinco, dos macios. Os pneus de chuva não entram nessa conta.

Na próxima terça-feira, as equipes voltam à pista. Desta vez, em Barcelona. Os carros já trarão as novidades planejadas depois dos testes de Jerez e a Williams terá, finalmente, o seu novo modelo FW 35. Para Fernando Alonso será o primeiro dia de trabalho no ano.

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