Celso Junior/AE - 19/11/2008
Celso Junior/AE - 19/11/2008

Polícia do DF investiga fraude em jogo da seleção brasileira

Amistoso com Portugal, no Bezerrão, custou R$ 9 milhões aos cofres públicos

Tiago Rogero / RIO, O Estado de S.Paulo

15 de agosto de 2011 | 00h00

DISTRITO FEDERAL - A polícia civil do Distrito Federal investiga fraude na contratação da empresa que promoveu o amistoso entre Brasil e Portugal, vencido pela seleção nacional por 6 a 2, em novembro de 2008, na reinauguração do Estádio Bezerrão, no Gama, na Região Metropolitana de Brasília. Doze policiais do DF estiveram no Rio, sábado, para cumprir mandado de busca e apreensão na sede da empresa Ailanto Marketing Ltda., no Leblon, na zona sul.

A festa custou aos cofres públicos R$ 9 milhões. Segundo a polícia, ao firmar acordo com a empresa, o então governador, José Roberto Arruda, ignorou decisão da Procuradoria do Distrito Federal "que considerou imprestáveis os motivos que justificaram o valor do espetáculo". O termo de compromisso foi assinado por Arruda e a empresa "antes mesmo da autuação do processo de contratação".

Segundo a polícia, o ex-governador e o então secretário de Esportes, Aguinaldo de Jesus, demonstraram "interesse direto e pessoal na rápida tramitação do processo de contratação e consequente liberação do dinheiro".

O presidente do Barcelona, Alexandre Rosell Feliu, o Sandro Rosell, é um dos sócios da empresa. Na sede da Ailanto, agentes apreenderam documentos, relatórios contábeis e computadores. A empresa, com capital social de R$ 800,00, iniciou suas atividades pouco mais de um mês antes do amistoso.

Para conseguir a outorga dos direitos do jogo, segundo a polícia, a Alianto contou com o aval do presidente da Confederação Brasileira de Futebol (CBF), Ricardo Teixeira. Ainda de acordo com o delegado, o "rombo aos cofres públicos" pode ultrapassar os R$ 9 mi, pois as despesas do custeio do evento, de responsabilidade da Ailanto, foram pagas pela Federação Brasiliense de Futebol.

"Além disso, não se sabe até hoje o destino dado à receita auferida com a venda dos ingressos, fato este a ser esclarecido com o desencadeamento da operação", informa Flamarion Araújo, delegado responsável pelo caso.

O advogado de Arruda, Edson Smaniotto, disse à TV Globo que há exceções que permitem aos governos fazer contratos sem licitação, como jogos da seleção brasileira. O diretor de comunicação da CBF, Rodrigo Paiva, informou que a entidade nada teve a ver com a negociação do amistoso, pois os jogos da seleção brasileira são vendidos a uma empresa da Arábia Saudita, que detém os direitos de contratação e produção dos eventos. Aguinaldo de Jesus não foi encontrado.

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