Polícia investiga depósito de R$ 80 mil

Dinheiro foi parar na conta de Ricardo Teixeira, segundo MP de Brasília que rastreia a empresa Ailanto de Sandro Rosell

VANNILDO MENDES / BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

29 de fevereiro de 2012 | 03h06

Novos depósitos, no valor de R$ 80 mil, feitos pela empresa Ailanto Marketing Ltda na conta pessoal do presidente da Confederação Brasileira de Futebol (CBF), Ricardo Teixeira, estão sob investigação na Polícia Civil e no Ministério Público do Distrito Federal. A empresa, investigada por fraudes no contrato de R$ 9 milhões para realização do amistoso entre Brasil em Portugal, em 2008, em Brasília, pertence ao cartola espanhol Sandro Rosell, presidente do Barcelona e amigo de Teixeira.

Os depósitos, feitos entre fevereiro e outubro de 2009, foram encontrados quando os investigadores analisavam documentos contábeis da Ailanto. A empresa, suspeita de funcionar como fachada para lavar dinheiro desviado em favor de cartolas do futebol, movimentou R$ 22,9 milhões. Desse total, R$ 11,6 milhões vieram de um contrato, ao qual o Estado teve acesso, com a empresa de material esportivo Nike, a título de "serviços de transferência de tecnologia".

Ao rastrear o caminho do dinheiro, a inteligência do MP identificou que pelo menos R$ 131 mil foram parar nas contas de Teixeira (R$ 80 mil) e da empresa W Trading (R$ 51 mil), do Rio, que pertenceria à mulher dele, Ana Carolina. A maior parte dos recursos, todavia, foi transferida para empresas ligadas a Rosell, principalmente a Brasil 100% Marketing. Ainda não se sabe se daí seguiram outras fatias para o dirigente da CBF.

Os investigadores aguardam dados pedidos ao Banco Central para identificar todos os destinatários do dinheiro. Os depósitos foram feitos nas contas de Rosell e da família Teixeira em datas compatíveis com os pagamentos da Nike à Ailanto. Rosell foi dirigente da Nike no Brasil na década passada e sempre foi intimamente ligado a Teixeira.

A Ailanto foi criada em maio de 2008, com capital de R$ 800 em nome de Rosell e da sócia brasileira Vanessa Almeida Precht, secretária do cartola espanhol, que integralizou apenas R$ 1 de capital. Em novembro de 2008, a empresa ganhou o contrato de R$ 9 milhões do então governador do DF, José Roberto Arruda, para promover o amistoso vencido pelo Brasil por 6 a 2, na cidade satélite do Gama.

Até agora, a polícia e o MP só haviam encontrados dois cheques pagos ao dirigente da CBF, no valor de R$ 10 mil cada, anexados aos autos da ação de improbidade administrativa que corre na quinta vara da Fazenda Pública de Brasília, por conta de desvio de recursos públicos na promoção do amistoso. O contrato foi firmado às pressas, sem licitação, uma semana antes do jogo.

Ordem do governador. O pagamento, meteórico, foi feito em duas parcelas, em apenas um mês, por ordem pessoal do governador, que passou por cima dos procedimentos administrativos e legais de praxe, conforme anotam os promotores de justiça na ação. Preso e cassado durante a Operação Caixa de Pandora, Arruda responde agora a processo de improbidade administrativa por irregularidades nesse contrato do amistoso.

São réus também o secretário de esportes, Agnaldo Oliveira e a Ailanto, acusada de ter agido de má-fé para desviar recursos públicos. A ação está conclusa para julgamento. A Ailanto funcionou vários meses em 2009 numa fazenda arrendada do presidente da CBF em Piraí, no Rio.

A polícia anexou aos autos cópias de cheques de Vanessa depositados na conta de Teixeira.

Pela assessoria, o presidente da CBF, que pode deixar o cargo ainda hoje (leia abaixo), negou envolvimento em irregularidades no amistoso. Ele disse que o jogo era da cota da cervejaria Ambev, patrocinadora da seleção, e lembrou que nem sequer figura como réu do processo. Garantiu ainda que suas relações com a Ailanto são legais. Arruda e Oliveira também negaram envolvimento em irregularidades em suas defesas prévias.

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