Polícia pode perder o controle da situação

Análise é de Danilo Zamboni, mediador de conflitos

Martín Fernandez e Vítor Marques, O Estadao de S.Paulo

20 de março de 2008 | 00h00

A proibição da presença das organizadas nos estádios até o fim do Campeonato Paulista deverá inspirar reações ainda mais violentas por parte das facções atingidas. A previsão é de Danilo Zamboni, mediador de conflitos entre torcidas em São Paulo. Há dois anos e meio, Danilo, juiz de paz, participa de reuniões nas vésperas de clássicos, com chefes das facções, PM, FPF e Ministério Público. ''Sem identificar os torcedores, vai ser difícil para a polícia acompanhar e separar as facções'', declarou Zamboni ao Estado. ''Temo que a situação saia de controle.'' O presidente da Mancha Alviverde, Jânio Carvalho dos Santos, concorda com o mediador. ''Como é que eu vou conseguir controlar se não pudermos usar nossas camisas?'', questiona.Em nota, a Mancha Alviverde acusou a Independente de causar o tumulto em Ribeirão. ''A outra torcida chegou no decorrer da partida e foi imediatamente no portão do Palmeiras, onde torcedores normais correram risco de serem agredidos'', diz a nota da Mancha.A torcida são-paulina fez o mesmo: acusou os rivais. ''Eles é que criaram confusão e todos vão ser punidos'', reclamou Marcelo Lencine, presidente da Independente. ''Fomos pegos de surpresa, ninguém esperava por isso'', contou. ''Mas vamos obedecer. A ordem vem de cima e não vamos questionar.''Herbert César Ferreira, presidente da Gaviões da Fiel, principal torcida organizada do Corinthians, também reclamou da atitude da FPF. ''As pessoas, os torcedores, precisam ser punidos. Não as agremiações'', declarou Ferreira. ''Todo mundo sabe que existe o bom torcedor e o mau torcedor. E existem casos isolados de confusões. Não podem generalizar.''Zamboni, que faz um trabalho solitário de mediação de conflitos entre organizadas, diz que ''todo o trabalho preventivo'' foi feito. ''Estou chateado porque as torcidas tiveram uma recaída'', comentou. ''Mas acho que o diálogo deve continuar.''O presidente da FPF, Marco Polo Del Nero, afirmou ontem à tarde que estuda até ações na esfera cível contra as uniformizadas. A partir de agora, a Federação quer ser indenizada. ''Em uma briga como essa em Ribeirão Preto, as organizadas causam prejuízos aos estádios. E elas têm sede, sócios, devem ter dinheiro também'', disse o dirigente. Del Nero promete ser duro contra as todas agremiações de São Paulo. ''Teremos mão de ferro contra as organizadas.''

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