Polícia prende seis manifestantes em protesto no Maracanã

Manifestação, que tinha cerca de mil pessoas, transformou-se em tumulto após ação da PM

Heloisa Aruth Sturm, Tiago Rogero, Sergio Torres e Wellington Bahnemann, Agência Estado

16 de junho de 2013 | 18h37

Atualizado às 20h05

RIO - O protesto contra os gastos públicos na realização da Copa das Confederações acabou em confronto com a polícia, na tarde deste domingo, nos arredores do Maracanã, onde aconteceu o jogo entre Itália e México. Ao final do tumulto, a PM contabilizava pelo menos seis manifestantes detidos para averiguação de antecedentes - eles foram levados para a delegacia da área, a 18ª, na Praça da Bandeira (zona norte do Rio), sem previsão para serem liberados.

O porta-voz da corporação, coronel Frederico Caldas, disse que seis artefatos explosivos foram apreendidos pelos policiais militares encarregados de reprimir o protesto. Um deles era um coquetel molotov, afirmou o oficial. Ele ainda disse na noite deste domingo que o jogo entre Itália e México só foi realizado por causa da atuação das tropas encarregadas de reprimir os manifestantes que aproximavam-se do estádio do Maracanã.

"Não faltou preparo, não faltou planejamento, não faltou integração entre as forças policiais. O jogo só aconteceu por conta da atuação da PM. Não houve excesso, mas uso gradativo da força. Quando há a recusa (no cumprimento) de uma ordem de autoridade legal, está se cometendo crime e a polícia precisa intervir", disse.

Para o porta-voz, a atuação da PM também "foi necessária para garantir a desobstrução da via pública (...) e das estações de trem e metrô de São Cristóvão". A PM escalou 1.200 policiais para atuar no Maracanã, dos quais 350 dentro do estádio. "Não houve excesso, mas uso gradativo da força", disse o coronel. De acordo com a polícia, um policial do 4.º Batalhão ficou ferido. O porta-voz não divulgou qual o estado de saúde da vítima.

A manifestação, que era pacífica e tinha cerca de mil pessoas, transformou-se em um tumulto que afetou até mesmo torcedores que chegavam ao estádio para acompanhar o jogo. Com bombas de efeito moral e gás lacrimogêneo lançadas pela PM, os participantes do protesto foram contidos a 700 metros da entrada principal do Maracanã.

A névoa enfumaçada que se formou no entorno do Maracanã fez com que centenas de pessoas passassem mal, com crises de tosse, lágrimas nos olhos e dificuldades para respirar. Asmática, uma jovem manifestante teve que ser socorrida pelos colegas. Até policiais reclamavam dos efeitos dos explosivos.

Os manifestantes começaram a se concentrar às 14 horas, na estação São Cristóvão do metrô, uma das três que dão acesso ao estádio. Pouco antes das 15 horas, eles tentaram subir o viaduto Oduvaldo Cozzi, que dá acesso ao portão da estátua do Bellini no Maracanã. Mas foram impedidos pela PM, que só permitia a passagem de pessoas com ingressos ou credenciais para o jogo.

O grupo tentou seguir pela vizinha rua General Canabarro, mas foi mais uma vez impedido. Às 15h20, o Batalhão de Choque da PM apareceu, com profissionais da Força Nacional de Segurança na retaguarda. Foi quando um policial borrifou spray de pimenta na nuca de um manifestante.

Em seguida, os PMs do Batalhão de Choque começaram a lançar as bombas. Manifestantes, jornalistas e torcedores correram, na tentativa de se proteger. A manifestação se dispersou momentaneamente.

O torcedor Dejair Freitas, de 28 anos, saiu da estação do metrô no momento em que os manifestantes foram atacados pela PM. "Uma das bombas quase me atingiu. Foi por muito pouco. Ela caiu ao meu lado, mas ainda assim veja como estou", disse, apontando para os olhos vermelhos e lacrimejantes.

Na sequência dos acontecimentos, cerca de 500 manifestantes reagruparam-se, sentando no asfalto, no acesso à Quinta da Boavista. Eles cantavam o Hino Nacional quando foram novamente atacados pela PM, que atirou mais bombas. Os policiais alegaram que precisavam desocupar a via pública, parcialmente interditada pelos participantes do protesto. Na confusão, a estação do metrô foi fechada.

No Maracanã para assistir o jogo entre Itália e México, o ministro do Esporte, Aldo Rebelo, não quis opinar sobre os protestos do Rio e de Brasília nos dois primeiros dias de Copa das Confederações - no sábado, também houve manifestação contra os gastos públicos do lado de fora do Estádio Nacional, antes da abertura entre Brasil e Japão. "Quero ver o conjunto da obra primeiro, para depois opinar. Não vi nada, estava aqui dentro", afirmou.

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