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Antero Greco
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Ponto de vista

Há quem diga que tudo na vida é questão de ponto de vista e que a realidade se amolda à maneira pela qual a encaramos. Tema clássico para discussões filosóficas, e dissecado no mínimo desde os tempos em que Platão, Sócrates e outros sábios expunham suas teorias pelas ruas da Atenas antiga. Época em que os minutos pareciam escorrer com lentidão nas ampulhetas.

ANTERO GRECO, O Estado de S.Paulo

29 de julho de 2013 | 02h12

O debate está aberto, após o 0 a 0 no clássico que Corinthians e São Paulo fizeram no Pacaembu. Jogo morninho, adequado ao sol tímido e à temperatura da tarde paulistana de ontem. A turma de Paulo Autuori finalmente não perdeu, depois de oito chibatadas em seguida. O gráfico do desempenho tricolor agora aponta curva ascendente. O otimista dirá que o copo ficou meio cheio. Ao mesmo tempo, sobe para 12 o número de partidas sem vitória, indício de que as coisas não andam bem no Morumbi. O copo, portanto, continua meio vazio...

Fato é que houve melhora no comportamento são-paulino. Consequência de mudanças ocorridas na equipe, de trocas de comando nos bastidores e, sobretudo, de movimento natural. Não se concebe fase invariavelmente ruim para um clube grande. Nem que fosse um conjunto horroroso, a série de derrotas não cresceria pra sempre. Numa hora haveria interrupção.

E essa hora veio contra um rival de peso, responsável por traumas sérios, o mais recente deles a perda da Recopa. O São Paulo que Autuori mandou a campo portou-se como um assustado time pequeno diante de um gigante. Ao menos na escalação inicial e no primeiro tempo. O treinador chegou à constatação óbvia de que era imprescindível não perder mais. Para tanto, cuidou de reforçar o sistema defensivo - e o fez com mexidas na zaga (a saída de Lúcio, o aproveitamento de Reinaldo) e com marcação intensa no meio-campo (Wellington e Rodrigo Caio fecharam espaços. Destaque ainda para Fabrício, um dos mais eficientes e que saiu por não aguentar o ritmo.

O primeiro objetivo foi alcançado, mesmo ao custo de Cássio só assistir ao jogo, porque não veio uma bola para esquentar as mãos dele nos 45 minutos iniciais. O Corinthians, em contrapartida, não foi muito diferente. Largou melhor, teve a presunção de imaginar que construiria o resultado quando bem entendesse, e entrou na toada que o adversário queria. Foi para o intervalo com a sensação de que não conseguiria empurrar bêbado na ladeira.

A postura cautelosa, até além da conta, fez bem ao São Paulo. Tanto que no segundo tempo se soltou, arriscou chutes a gol e deixou para a trás a imagem amedrontada. O Corinthians custou a perceber que não haveria a moleza prevista, a ponto de Tite tentar uma sacudida com a entrada de Pato e Renato Augusto, por volta dos 15 minutos, no lugar de Guerrero e Emerson. Um pouco mais tarde, colocou também Douglas. Com o trio, ganhou fôlego, retomou o controle do jogo. Ficou a sensação de que, se as alterações tivessem ocorrido antes, a história final confirmaria o favoritismo alvinegro.

O ponto, após jejum prolongado, não altera de maneira significativa a vida do São Paulo na classificação. Ele continuará, por várias rodadas, na parte menos nobre - sobretudo por ter jogado mais vezes para ter folga e excursionar. O impacto psicológico, no entanto, tende a ser positivo, pois jogadores e comissão técnica recuperam um tanto de autoconfiança. E, para quem está no fundo, todo sinal de reação se mostra vital e a ele o grupo deve agarrar-se.

Como escrevi no começo da crônica, o enfoque dá o tom da interpretação: o Corinthians tem 11 pontos e nas últimas três rodadas contabiliza uma derrota e dois empates. Ocupa posição intermediária. Não consegue decolar. O copo dele no Brasileiro está meio cheio ou meio vazio?

Carimbo na faixa. O Cruzeiro sapecou 4 a 1 no Atlético, quatro dias após o rival conquistar a Taça Libertadores. Pouco importa se o Galo entrou com reservas e de ressaca; valeram resultado e liderança da Série A.

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