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Pontos sofridos

Defina como quiser. Pode chamar até de milagre se preferir. O Palmeiras escapou do terceiro rebaixamento com apenas um ponto ganho dos últimos 18 disputados. Com cinco derrotas e um empate nos momentos decisivos, é fato que o time não fez nada, absolutamente nada para merecer escapar da queda.

Paulo Calçade, O Estado de S.Paulo

08 de dezembro de 2014 | 02h02

O Palmeiras só não caiu porque Bahia e Vitória conseguiram ser mais incompetentes. E ainda foi ajudado por um pênalti inexistente marcado pelo árbitro Leandro Pedro Vuaden, atendendo indicação do assistente, para Henrique empatar a partida.

É impossível explicar as fases do jogo no Allianz Parque. Simplesmente porque o time foi incapaz de jogar futebol. O que se viu foi algo parecido, mas não futebol. Basta lembrar dos lances realmente perigosos na área do Atlético e como a jogada foi definida.

Valdívia ficou até o final se arrastando em campo, passando a bola para companheiros desestruturados emocionalmente que o procuravam a todo instante. O chileno, bem meia boca por causa de suas condições físicas, conseguiu produzir algumas oportunidades prontamente desperdiçadas por seus colegas.

O Atlético Paranaense trouxe vários reservas para o confronto, mas não esqueceu sua dignidade. Jogou tranquilo, disposto a aproveitar as oportunidades oferecidas pelo desequilíbrio do rival nas bolas paradas.

Com o milagre realizado, hoje deveria ser o primeiro dia do novo Palmeiras. Do treinador à reestruturação do departamento de futebol, tudo é importante. Não basta apenas contratar novos e bons jogadores se a administração não se modernizar de verdade.

Encerrado mais um sufoco, o futuro começa agora. A permanência na Série A, decisivamente empurrada pelo acaso, influencia os rumos do Palmeiras para 2015. E deve direcionar as escolhas para revitalizar a instituição.

Não basta comprar novos softwares e implantar sistemas de gerenciamento inovadores no clube se as ideias permanecerem as mesmas de sempre, se persistir a visão de que para entender o futebol é preciso fragmentá-lo primeiro para depois juntar as partes. Funcionou um dia, 30, 40 anos atrás, hoje é impossível desassociar seus componentes.

Atribuir o sofrimento apenas às deficiências técnicas dos jogadores é simplista, pois é normal ouvir por aí que tal clube não merecia cair por ter equipe superior a muitos dos que escaparam. Precisamos nos preparar para uma nova ordem no futebol brasileiro. A divisão atual, entre grandes e pequenos, não consegue mais explicar a realidade.

Cabe ao Palmeiras mudar sua trajetória, e finalmente jogar os pontos corridos para valer, pois até agora o torcedor foi torturado pelos pontos sofridos. Que o Palmeiras possa finalmente aprender com esses momentos, e que eles não virem rotina.

Corinthians. Mano Menezes foi contratado para fazer a delicada reformulação corintiana após o período mais vitorioso da história do clube. Fez os cortes necessários, reformou a maneira de jogar e trouxe novos nomes para a equipe.

A questão, agora, é saber se o produto do trabalho é bom ou ruim. Para quem só enxerga êxito nos títulos, o treinador certamente não atingiu os objetivos.

Mas quem consegue ver além do primeiro lugar perceberá que algumas metas foram alcançadas. E que campanhas como a do Cruzeiro no ano passado, com reformulação e título na primeira temporada de Marcelo Oliveira, é exceção e não regra.

Dispensar Mano é retrocesso, é correr o risco de perder a primeira decisão de 2015, que poderá conduzir o time à Libertadores. O cenário político agrava a situação e gera indefinições. Como a do treinador, por exemplo. O Corinthians campeão mundial não existe mais, mas impressiona como se esforça para ficar parecido ao Palmeiras.

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