Popó avisa: ?falador? cai no 5º round

Um pugilista ainda ?pegador?, mas agora também consistente. Pela primeira vez, em seis anos de carreira como profissional, desde 1995, o pugilista baiano Acelino Popó Freitas, de 26 anos, 1,68 m e 60 quilos, fez uma preparação séria, nos Estados Unidos, para uma luta. Longe das folias da Bahia, da feijoada da mãe e das ?trapaças? de empresários que, garante, levavam 75% de suas bolsas e patrocínios. Popó terá completado dois meses e seis dias de preparação quando entrar no ringue do Thomas & Mack Center, em Las Vegas, sábado, contra Joel Casamayor, de 30 anos, campeão olímpico em Barcelona (1992), representante da técnica ?escola? cubana do boxe. Popó, campeão dos superpenas da Organização Mundial de Boxe (OMB) promete mostrar ao público um pugilista diferente, profissional de verdade, no combate contra Casamayor, um canhoto muito técnico, detentor do cinturão pela Associação Mundial de Boxe, segunda entidade de maior prestígio (a OMB é a quarta em importância). Nesta quinta-feira, Popó, que passou os últimos dois meses em Palm Springs, Colorado ? ?em uma casa confortável, com três dormitórios, piscina e jacuzzi?, como define ? segue, em um vôo de 40 minutos, para Las Vegas. ?Foi meio triste passar o fim do ano longe da família, mas fiquei na companhia da minha mulher (Eliane) e meu irmão (Luiz Cláudio) e pude me concentrar no objetivo de vencer a luta.? Popó acha que deve focar o combate e não a unificação dos cinturões dos superpenas. ?Isso será consequência para o ganhador.? O baiano definiu Casamayor, um refugiado que vive em Los Angeles, como ?um falador?. Na apresentação oficial da luta, o cubano fez provocações, que se seguiram no último mês. ?Todo dia alguém aparecia dizendo que ele falou isso ou aquilo. O que eu disse, na cara dele, foi que era muito falador e, por isso, eu iria vencer até o quinto assalto.? Popó treinou na mesma academia de pugilistas de renome como Oscar De La Hoya, com os técnicos Ulisses Pereira da Silva (que dirigiu o Brasil na Olimpíada de Sydney, em 2000, e com o qual ganhou a medalha de prata, no peso leve, nos Jogos Pan-Americanos de Mar del Plata, em 1995), e o porto-riquenho Oscar Suárez. Acha que está ?preparado para 12 assaltos, mais técnico, mas ainda pegador?. Teve a ajuda de três sparrings canhotos, como é o seu rival ? um deles, segundo Popó, desistiu por não suportar seus potentes golpes. Um fantasma que sempre rondou a carreira de Popó Freitas ? o do excesso de peso na véspera de lutas importantes ? está afastado desta vez. Uma alimentação balanceada, fará com que suba na balança amanhã, para a pesagem oficial que antecede a luta, sem medo de ultrapassar o limite dos 58,967 quilos da categoria superpena. No último combate, em setembro, em Miami, nos Estados Unidos, contra o africano Alfred Kotey, lutou com 61,235 quilos, uma categoria acima. ?Era um sofrimento grande. Quatro dias antes da luta eu não comia. Agora estou tranquilo, posso comer sem culpa.?

Agencia Estado,

09 de janeiro de 2002 | 21h13

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