Popó desiste de lutar contra húngaro

O campeão dos superpenas versão Organização Mundial de Boxe (OMB), Acelino Popó Freitas, desistiu de colocar seu título em disputa sábado nos Estados Unidos, quando enfrentaria o húngaro Lazlo Bognar. O cancelamento da luta pode resultar na perda do cinturão de campeão da OMB e causará um prejuízo de US$ 200 mil.Popó não compareceu ao Aeroporto de Salvador ontem para o embarque. Ele estaria na Ilha de Itaparica, deprimido, e hoje confirmou que não lutaria por atravessar problemas psicológicos, motivados provavelmente pelo rompimento com a noiva Eliana Guimarães, cuja figura mandou tatuar numa das pernas. Ele nega, afirmando estar "chateado" por não ter um patrocinador, apesar de ser o campeão mundial dos superpenas."Ficamos perplexos e preocupados", disse o diretor da Oficina de Idéias Ruy Pontes, que gerencia a carreira de Popó. Pontes já avisou ao empresário mexicano Ricardo Maldonado, que organiza as lutas internacionais do campeão, para comunicar a indisposição do lutador baiano à Organização Mundial de Boxe, e pretende submeter Popó a uma avaliação psicológica.Com o laudo deste exame poderemos defender Popó junto à OMB", disse Pontes, lembrando que cancelamentos de lutas motivadas por impedimentos físicos e psicológicos não são raras. Ele disse que é preferível arcar com o prejuízo e até "começar tudo de novo" do que colocar no ringue um lutador sem condições. "Popó honra as cores do Brasil lá fora e só luta estando 100%", defendeu, achando que caberá ao treinador Luís Dórea conversar com Popó para tentar superar seu problema.No domingo Dórea disse ter recebido um telefone do lutador pedindo para adiar a viagem, inicialmente marcada para aquele dia. ?Transferimos para a segunda mas ele não apareceu e remarcamos para hoje", disse o treinador, visivelmente assustado com o caso. "Eu vejo o lado dele, e se o Popó não está em condições não pode lutar", disse Dórea, que até a tarde de hoje esperava um contato do amigo.Falando para uma emissora de televisão de Salvador, o lutador confirmou não estar preparado. "Preciso preservar minha integridade física e psicológica", disse, explicando que a falta de um patrocinador tirou sua tranqüilidade. "Patrocínio é o que me dá manutenção mensal, é que faço a minha compra, o da minha mãe, ajudo os meus irmãos, tudo isso", disse, achando "uma coisa absurda" o fato de dar tantas alegrias aos brasileiros e ficar sem patrocínio. A crise do lutador baiano, que tem um cartel de 29 lutas e 29 nocautes, pode atrapalhar o combate pela unificação do título contra o cubano Joel Casamayor, campeão da Associação Mundial de Boxe, marcado a princípio para o dia 14 de julho.

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