Popó é recebido por fãs na Bahia

O pugilista Acelino Popó Freitas teve uma recepção de grande campeão no inicio da tarde desta segunda-feira ao desembarcar no aeroporto de Salvador. Milhares de fãs de Popó foram recebê-lo e causaram uma grande confusão no terminal aéreo. Ele chegou exibindo os dois cinturões de campeão, o da Organização Mundial de Boxe (OMB), que já detém há dois anos, e o da Associação Mundial de Boxe (AMB) que tomou do cubano Joel Casamayor, na luta do final de semana, em Las Vegas.Com o rosto marcado por um grande corte no supercílio direito e outro pequeno abaixo do olho esquerdo (um total de 38 pontos), Popó chegou sorridente, emocionado e sem perder o bom humor em nenhum momento. "Vou descansar este mês, recuperar meu supercílio e me preparar para a defesa obrigatória da AMB em junho", disse, explicando que antes de tudo iria até a Igreja do Senhor do Bonfim agradecer ao santo, a vitória. O desfile foi em cima de um carro do Corpo de Bombeiros acompanhado por um cortejo de veículos.Ao longo dos 40 quilômetros que ligam o aeroporto de Salvador à Colina do Bonfim, Popó foi festejado pelos moradores com aplausos. "Minha intenção não é ser melhor que o Guga, o Ayrton Senna ou o Éder Jofre, quero apenas ter o mesmo espaço na mídia que eles, dar a mesma alegria ao povo brasileiro que eles deram", disse, emocionado.Popó agradeceu ao treinador Ulisses Pereira que assumiu sua preparação após a briga do lutador baiano com seu antigo empresário Rui Pontes e o treinador Luís Dórea. "O Ulisses foi uma pessoa nota mil, trabalhou a minha técnica e a minha tática, me deu confiança de enfrentar uma luta até o 12º assalto", disse, lembrando do drama que passava nas lutas anteriores por sempre estar acima do peso. "Desta vez estava com 800 gramas abaixo do peso, pude suportar um combate longo ao contrário das minhas outras lutas quando eu ia debilitado, querendo resolver logo nos primeiros assaltos, com medo de não agüentar até o fim", explicou.Tática - Popó contou ter percebido que estava com a vitória nas mãos contra Casamayor quando seu adversário perdeu dois pontos por penalidades cometidas. "Acho que ele ganhou o 6º e o 7º assalto, depois foi só administrar, batendo e saindo; é preciso ser inteligente nessa hora", revelou.O campeão reforçou a forma errada pela qual vinha treinando e por causa disso teve a carreira abalada pelo empresário Rui Pontes que, segundo ele, está tentando prejudicá-lo até hoje, inclusive movendo uma ação na Justiça para ser indenizado por quebra de contrato. "Rui Pontes viajou para os Estados Unidos tentando embargar minha luta, mas Deus estava lá comigo e ele não conseguiu", disse, irritado com o ex-empresário."Há um delegado que admiro muito, o Jacinto Alberto que disse a frase ´ladrão não faz carreira na Bahia´; tenho certeza que Rui Pontes na Bahia não faz carreira em mais nada", desabafou, afirmando estar satisfeito com seus novos empresários. "Apesar de ser campeão mundial há dois anos e fazer seis defesas de título em todo esse tempo, a minha maior bolsa nesse período foi US$ 40 mil e todo mundo pensa que sou rico", disse, observando que até agora só conseguiu comprar uma casa para ele, outra para a mãe e um carro.Após a visita à Igreja do Bonfim, Popó iria participar à noite de uma festa no Bairro de Macaúbas para onde seus pais e os irmãos mudaram recentemente. Toni Freitas, irmão de Popó, que tem um grupo de pagode, vai fazer show em cima de um trio elétrico para homenagear o campeão.

Agencia Estado,

14 de janeiro de 2002 | 15h16

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