Popó já sonha com Mayweather

O boxeador brasileiro Acelino Popó Freitas, de 26 anos, manteve o título mundial dos superpenas (até 58,967 quilos), ao derrotar, na madrugada de domingo, no ringue do Dodge Theatre, em Phoenix, no Arizona, Estados Unidos, o nigeriano Daniel Attah, por pontos, após 12 roundes. Os jurados Curtis Wilson, Raul Caíz e Guy Jutras foram unânimes em apontar Popó como vencedor: todos anotaram 117 a 110 para o campeão. Popó planeja voltar ao ringue em dezembro no Brasil, provavelmente em Salvador. São Paulo e Rio de Janeiro também podem organizar o evento. ?O problema será reunir condições financeiras para realizar esta luta?, afirmou Art Pellullo, empresário do lutador brasileiro, que recebeu US$ 200 mil para enfrentar Attah. O africano ganhou US$ 100 mil. Para 2003, Popó deverá subir para a categoria dos leves para poder encarar o norte-americano Floyd Mayweather. Existe a possibilidade da bolsa atingir US$ 1 milhão. Na luta de sábado, desde o primeiro assalto deu para perceber que as previsões sobre o canhoto Attah estavam corretas. O lutador de 23 anos mostrou ótimo contra-ataque, uma habilidade muito grande em usar a cabeça contra o adversário e a falta de pegada nos punhos. Os avanços do brasileiro foram assimilados pelo africano, que colocou ótimos cruzados de direita na cabeça de Popó. No segundo round, Attah aproveitou também para abusar dos clinches e irritar o brasileiro. Popó chegou a atingir o oponente enquanto o juiz Bobby Ferrara fazia a separação e foi advertido. No assalto seguinte, o integrante do time nigeriano na Olimpíada de Atlanta, em 1996, chegou a pisar no pé de Popó, deu cotoveladas, cabeçadas e ainda acertou mais um bom contra-ataque de direita. O quarto round foi fraco tecnicamente. Popó não sabia como diminuir a distância e Attah não se aventurava no ataque. Popó voltou melhor nos três minutos seguintes, mas não demonstrava a mesma variedade de golpes de outros combates. No sexto assalto uma pequena queda de energia deixos os lutadores e os 2.402 espectadores presentes ao Dodge Theatre supresos. Mas o problema foi resolvido logo em seguida. Na volta, Attah passou a provocar Popó, abaixando a guarda e mostrando que não sentia os golpes. O sétimo assalto foi o melhor de Attah. Um direto de esquerda, seguido de um cruzado de direita deixaram uma pequena hemorragia no nariz do brasileiro. A partir do oitavo assalto o cansaço tomou conta dos lutadores. Eles diminuíram o ritmo e passaram a jogar o boxe mais plantados. No décimo assalto, Ferrara puniu Popó com a perda de um ponto por aplicar, segundo o juiz, pela terceira vez um golpe abaixo da linha de cintura no combate. No penúltimo assalto programado, o excesso de jogo de pernas dos lutadores levou o público a vaiar o duelo pela primeira vez. Ato repetido no fim do 12º e último round quando Popó passou a comemorar a vitória com os braços levantados e fazendo embaixadas. ?Não estava preocupado em vencer por nocaute. Treinei para 12 roundes. Queria a vitória?, afirmou Popó, que somou a 32ª vitória em sua carreira invicta, a terceira seguida por pontos. Ele soma 29 nocautes. Attah perdeu pela primeira vez, após 21 lutas, com 20 vitórias e um empate. O técnico Oscar Suarez afirmou que sentiu um Popó ?desesperado pelo nocaute? nos primeiros seis roundes. ?Attah é um lutador muito forte e difícil de ser nocauteado.? Nas preliminares da noitada em Phoenis, mais vitórias do boxe brasileiro. O meio-pesado Laudelino de Barros nocauteou o norte-americano Dennis Matthews, aos 2min33, do primeiro assalto. O meio-médio José Archak repetiu o resultado diante de Jaime Barahona, com 1min27 de luta. Já o peso pena Valdemir Pereira dos Santos, o Sertão, derrubou Roberto Enriquez, a 1min29s do quarto assalto e poderá melhorar sua colocação no ranking do Conselho Mundial de Boxe. Atualmente, Sertão é o 30º colocado.

Agencia Estado,

04 Agosto 2002 | 15h33

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