Popó promete calar críticos americanos

A luta deste sábado contra o panamenho Fabian Salazar, às 22h30, no Ginásio Balbininho, em Salvador, poderá ser a penúltima da carreira do boxeador Acelino Popó Freitas. Antes de pendurar as luvas, o ex-campeão mundial dos superpenas e dos leves, que soma 36 vitórias (31 nocautes) e apenas uma derrota, tem uma missão a cumprir: responder às críticas dos jornalistas norte-americanos, que não aprovaram o fato do pugilista brasileiro não seguir lutando no duelo de agosto, contra Diego Corrales, quando caiu por três vezes antes de desistir, em pé, no décimo round. "É que eles estão acostumados a ver lutadores morrerem em cima do ringue. Taparei a boca de todo mundo", disse Popó, ontem, em entrevista exclusiva à Agência Estado, no Centro de Convenções Bahia, durante a pesagem oficial para a luta, que terá transmissão ao vivo pela TV Bandeirantes. Agência Estado - Trabalhar como empresário não está prejudicando sua carreira no boxe profissional?Acelino Popó Freitas - Não. Para este evento, eu apenas ajudei na busca de patrocínios. O resto fiquei de fora para me preparar para a luta.AE - Roy Jones Jr. e Oscar De La Hoya também dividiram seus trabalhos no ringue com os de bastidores, foram criticados, baixaram seu desempenho e perderam títulos mundiais. Você não teme que isso prejudique sua carreira? Popó - Não, pois estou acumulando funções em fim de carreira. Quero trazer mais um título mundial para o Brasil e parar.AE - Então você pode pendurar as luvas ainda este ano?Popó - Posso. Tudo vai depender da minha atuação na próxima luta, depois de Salazar. Se achar que mais importante que o dinheiro é cuidar de meus filhos, eu paro. Sei que o projeto Boxe Brasil precisa de mim e lutando consigo as coisas de maneira mais fácil. Mas tudo vai depender do fim do ano.AE - Arthur Pelullo, seu empresário no exterior, pretende colocá-lo diante do norte-americano Juan Diaz, campeão dos leves pela Federação Internacional de Boxe, em outubro. O que você acha?Popó - Luto com qualquer um. Queria o Corrales, mas ele preferiu outros desafios. Posso enfrentar o Diaz ou até lutar pelo título da Organização Mundial de Boxe, que ficará vago. Única coisa que sei é que quero mais um título mundial.AE - Você viu a luta entre Corrales (que derrotou Popó em agosto) e Jose Luis Castillo, em maio? (vitória de Corrales, por nocaute, em uma das mais violentas lutas dos últimos anos).Popó - Vi. Foi uma guerra. O Corrales perdeu três anos da carreira de boxeador naquela luta. Foi um massacre. Muito desgastante.AE - É a dureza do boxe que está te fazendo pensar em parar? Popó - É. Já conquistei muito dentro do boxe. Não preciso me expor mais. É muito duro ser boxeador profissional. Agora, graças a Deus, não preciso mais me sacrificar tanto.AE - Os críticos norte-americanos não gostaram quando você desistiu da luta no décimo round contra Corrales ainda de pé. Disseram que você perdeu mais que uma luta, perdeu a credibilidade.Popó - É que eles estão acostumados a ver lutadores morrerem em cima do ringue. Para que continuar a lutar naquele momento, se eu estava me machucando? Melhor parar, se preparar mais e buscar o título de novo. É o que vou fazer. E aí taparei a boca de todo mundo.AE - E quanto a Salazar? Popó - Sei que para ele é a grande chance da carreira, mas quero acabar logo a luta. Conseguir um nocaute relâmpago para o povo de Salvador.

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