Popó reage e ataca pugilista cubano

Estão ficando cada vez mais acintosas as provocações envolvendo o brasileiro Acelino ?Popó? Freitas e o cubano Joel Casamayor, que lutarão dia 12 de janeiro, em Las Vegas, pela unificação dos cinturões dos superpenas. Popó não gostou nem um pouco de saber que Casamayor o chamou de ?ratón?, (covarde). E rebateu com ofensas familiares. O cubano disse anteontem que o brasileiro é um ?ratón? por ter, segundo ele, dito que o nocautearia no segundo assalto. Popó nega que tenha dito isso, mas não perde a chance de responder: ?Diz para ele que ratão é a mãe dele.? E, já que o motivo da discussão é esse, aceita o desafio: ?Só porque ele falou isso, não vai passar do segundo assalto. Vou bater até na sola do pé dele.?Campeão pela AMB (Associação Mundial de Boxe), Casamayor venceu as 26 lutas que disputou até hoje. Campeão pela OMB (Organização Mundial de Boxe), Popó também está invicto. Venceu 30, mas nunca enfrentou adversários que realmente o desafiassem. Ninguém duvida de que ?bate forte?. Resta saber se sabe apanhar, assimilar golpes, pois desta vez deve receber vários. Garante que está preparado. E em forma ? ao contrário, diz ele, do adversário. ?O Casamayor estava uma bola, gordo para caramba?.Popó falou com a reportagem do JT ontem, antes de deixar Las Vegas, onde na noite anterior tinha sido feita a apresentação oficial da luta. Carregando no sotaque baiano apesar do sono ? tinha acabado de acordar ?, disse que a entrevista coletiva foi boa e que teve uma surpresa na hora da tradicional foto com o oponente: ?Os caras disseram ?vamos ver quem está mais gordo?. O Casamayor estava uma bola, gordo para caramba.?Quanto ao seu próprio peso, Popó, que sempre teve problemas com isso, garante que tudo está sob controle. Embora esteja pesando em torno de ?63,5, 64 quilos? e o ideal para a luta seja ?59?, ele confia em que não terá dificuldade para perder esses cinco quilos: ?Já estou chegando ao peso para não ter de fazer sacrifício perto da luta.?Cansado dos regimes drásticos de última hora a que tinha de ser submetido em outros tempos, para não ser reprovado na pesagem, Popó agora tem uma alimentação balanceada, orientada pelo técnico Ulisses Pereira e pelo irmão Luís Cláudio, que estão com ele nos Estados Unidos: ?Como mais carne branca, frutos do mar e frutas. Carne vermelha, só uma vez por semana.? E nada de tudo isso para não ter de esquentar a cabeça com o peso às vésperas do combate: ?Essa é a luta da minha vida, e eu tenho que estar inspirado, bem concentrado.?Treinando boxe de segunda a sexta-feira, durante duas horas no período da tarde ? e correndo 40 minutos nas manhãs de segunda a sábado, cerca de oito, nove quilômetros ?, Popó acha um blefe Casamayor dizer que está treinando seis horas por dia (quatro no ringue e duas de corrida), como declarou ao JT.?O treino de boxe tem no mínimo 14 roundes e no máximo 17, 18. Quatro horas seriam quase 60 roundes. Isso não existe. É que é um jornal brasileiro e ele quer tomar o meu espaço?, acusa o pugilista, que vai ficar treinando perto de Palm Spring, na Califórnia, até poucos dias antes da luta. Só viajará para Las Vegas no dia 10.Além da chance de conquistar o cinturão da AMB e o direito de, em mais uma luta, tornar-se o maior superpena do mundo, Popó está de olho no reforço que sua conta bancária deverá ganhar ? embora ainda não saiba com certeza qual será o montante de sua bolsa: ?Queria saber, estou muito curioso para saber se vai dar para pagar a casa que eu comprei fiado.?Durante a apresentação da luta ? a primeira realmente importante de 2002 ?, os dois trocaram ainda mais ?gentilezas?. Casamayor disse que não há chance de o título ir para o Brasil ?porque vai para Miami?, onde mora. Popó concordou que o cinturão irá para a cidade da Flórida, mas só quando ele o levar até lá para mostrar a seus amigos: ?Conheço vários brasileiros em Miami.

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