Popó: "Só um campeão reage à derrota"

A imagem de Popó se recusando a continuar o combate contra o norte-americano Diego Corrales, após sofrer uma queda no décimo assalto, em 7 de agosto passado, no Foxwoods Casino, em Mashantucket, Estados Unidos, causou muitas dúvidas no boxe brasileiro. Afinal, Acelino Freitas teria força para superar a perda do título mundial dos leves da Organização Mundial de Boxe e reiniciar a carreira após um nocaute?Pois o garoto "Mão de Pedra" de Salvador está pronto para vencer Fernando David Saucedo, "se possível por nocaute", e somar em 2005 mais dois títulos mundiais. "Só os grandes campeões se recuperam das derrotas", afirmou o boxeador, que em 36 lutas, venceu 35, sendo 31 por nocaute, e só tem uma derrota."Quero unificar o cinturão dos leves", prometeu o pugilista, que está em São Paulo desde quinta-feira e treina todos os dias no Meliá Mofarrej Hotel para o duelo contra Saucedo, sábado à noite, no ringue do lendário Ginásio do Ibirapuera, em São Paulo.Neste depoimento, Popó fala do treinamento nos Estados Unidos nos últimos dois meses - "o melhor já realizado na minha carreira" -, revela os pontos que corrigiu na sua maneira de lutar, demonstra como convive com o medo, esbanja confiança, motivação, sonha com seus projetos fora do pugilismo e diz que o sucesso não mudou sua maneira de ser.Amizade - "Toda terça-feira tem futebol na minha casa, em Salvador. Desde quando eu não era campeão. São sempre os mesmos. Sei que para muitas pessoas é difícil, mas eu posso dizer que possuo verdadeiros amigos, que estarão ao meu lado em todos os momentos."Medo - "Todos temos medo de muitas coisas. O que não se pode é deixar o medo dominar nossas ações. O medo é importante para mostrar nossos limites e nos tornar mais fortes. No boxe, a partir do momento que o medo te faz tremer, é a hora de parar."Futuro - "Quero unificar os títulos dos leves. Vou ganhar dois títulos em 2005. Primeiro o cinturão da Federação Internacional, diante de Julio Diaz, em abril ou maio. Depois, no fim do ano, almejo o título do Conselho Mundial de Boxe. Desejo dar a revanche para o Casamayor (Joel, boxeador cubano, vencido por Popó em 2002). Antes, achava que não devia dar a revanche para ele, pois tomei 45 pontos no rosto por causa das cabeçadas que levei."Confiança - "Sei o que posso fazer em cima do ringue. Tive a humildade para, após a derrota para Corrales, analisar meus defeitos e procurar corrigi-los. É depois da derrota que os grandes campeões encontram forças para conquistas maiores. Para se recuperar de uma derrota, só um grande campeão."Motivação - "Nunca me senti tão bem preparado. Estou mais forte, mais rápido e mais consciente no ringue. Antes lançava os golpes abertos. Agora vou lutar mais compacto."Família - "O equilíbrio mental e o apoio da minha família me dão força para buscar muitas coisas no boxe. Família é a coisa mais importante. Só consegui progredir na vida porque tive meus familiares ao meu lado. Se não fosse lutador de boxe, seria qualquer coisa. Mas sempre com dignidade e respeito pela vida."Dinheiro - "Não ligo para dinheiro. Se desse importância não estaria lutando no Brasil, onde minha bolsa diminui 99% em relação ao que ganho nos Estados Unidos."Sucesso - "O fato de me tornar público não mexeu com minha cabeça. Sou o mesmo de sempre. Não mudei meus hábitos e nem minha maneira de pensar. Convivo com as mesmas pessoas que me viram iniciar. Não me desgrudo das minhas origens."Derrotas - "Perdi apenas uma vez em 36 combates. Acho que ainda estou no lucro. O boxe é um esporte muito duro e, por ser um esporte individual, exige um equilíbrio físico, técnico, psicológico muito grande do atleta. Todos os lutadores perdem, mas só os grandes campeões sabem dar a volta por cima. Eu também vou dar."Projetos - "Venho de uma região onde o povo sofre muito. Eu sofri muito. Quero e vou ajudar muita gente. Já estou ajudando na Bahia, Goiás e pretendo expandir auxílio por outros lugares."

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