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Popó surpreende e anuncia aposentadoria dos ringues

O lutador baiano Acelino Popó Freitas surpreendeu o público presente para uma noitada de lutas promovida por sua empresa, na noite desta terça-feira, em Salvador, e anunciou o fim de sua carreira. Sua última luta foi disputada em abril, quando derrotou o norte-americano Zahir Raheen. Popó se aposenta como o boxeador brasileiro mais premiado de todos os tempos. Ele conquistou quatro títulos mundiais, em duas categorias diferentes - super-penas e leves - e por duas entidades diferentes - Organização Mundial de Boxe (OMB) e Associação Mundial de Boxe (AMB). O agora ex-boxeador disse que é melhor "parar por cima" e se considerou um vitorioso "no ringue da vida", lembrando que chegou a dormir no chão. "Foi uma decisão certa e só minha. Nem minha mulher e meus filhos sabiam disso. Já fiz muito no boxe. Ganhei quatro títulos mundiais. Agora quero trabalhar pelo boxe e por outros esportes também", contou. ?A partir de agora, só vou promover eventos. Vocês não vão ver mais o Popó em cima do ringue, lutando?, afirmou, para a platéia do ringue improvisado em um hotel da orla de Salvador. Habituado a emocionar-se com facilidade, Popó teve problemas para terminar as frases, pois a cara de choro impedia a articulação das palavras. ?O primeiro carro, a primeira casa... Devo tudo, tudo, a vocês e ao boxe.? O campeão dos leves da OMB tomou a decisão após desentender-se com seu empresário Arthur Pellulo em relação à programação da luta pela unificação dos cinturões com o campeão da Federação Internacional de Boxe (FIB), Julio Diaz. Pellulo antecipou-se ao pugilista e já havia divulgado o combate para janeiro, contrariando desejo de Popó, que pretendia lutar em março. ?Já vinha pensando mesmo em parar. Vou sentir saudade do ringue todo dia, pois o quadrilátero é a vida de minha família?, disse. Filho de um ex-pugilista, Niljalma, e irmão de outros três, um dos quais, Luís Cláudio Freitas, representou o Brasil nos Jogos Olímpicos de Barcelona, em 1992, Popó diz que sentiria orgulho se um de seus seis filhos também subisse ao ringue. Popó, que ganhou este apelido da mãe Zuleika, era treinado por Ulisses Pereira e se dizia preparado para a próxima luta até a tarde de terça-feira, o que aumentou a surpresa no momento de anunciar sua decisão. ?Eu não quis dizer nada antes, porque para mim, seria mais legal encerrar assim, na quentura do ringue, junto do povo?. Carreira O boxeador baiano deixa o ringue com uma coleção de quatro cinturões de campeão do mundo, o que o leva a tornar-se um dos principais vencedores da história do pugilismo brasileiro. O primeiro cinturão mais representativo foi o mundial super-pena pela OMB, conquistado em 7 de agosto de 1999, ao vencer o russo Anatoly Alexandrov, nocauteado no primeiro assalto, uma das características do perfil de Popó. Dono de um cartel superior ao de Mike Tyson, 29 nocautes em 29 lutas, Popó encerra a carreira com 38 vitórias, sendo 32 por nocaute, e apenas uma derrota, para o norte-americano Diego Corrales, de quem desejava uma revanche que jamais poderá acontecer. Ao derrotar o cubano Joel Casamayor, em 12 de janeiro de 2002, Popó unificou cinturões super-pena. Campeão mundial dos leves, ao vencer Artur Gregorian, do Uzbequistão, sofreu sua única derrota para Corrales, em um período difícil de sua vida pessoal, pois esteve separado da segunda mulher, Eliana, com quem se reconciliou, antes de reconquistar também o cinturão, ao vencer o norte-americano Zahir Raheen, por pontos, em abril deste ano. Planos Nos planos do baiano estão o Projeto Social Acelino Freitas, entidade beneficente localizada no Arraial do Retiro, em uma região pobre de Salvador, e o desenvolvimento da BoxeBrasil, que, segundo ele, continuará promovendo lutas e descobrindo talentos da Bahia para o boxe internacional. Popó também vai se reunir nos próximos dias com os diretores da empresa Malagueta Filmes para conhecer em detalhes o projeto de um filme sobre sua história de vida, desde o menino pobre que dormia no chão até o pugilista vitorioso. O anúncio do fim da carreira surpreendeu até mesmo seu antigo instrutor, Luis Dórea, com quem se desentendeu e rompeu um relacionamento de 14 anos, por conta de problemas financeiros relativos à empresa Oficina de Idéias, que gerenciava sua carreira. Para Dórea, Popó está parando muito cedo. ?Aos 30 anos, ainda dava para ele. Mas, se não sente motivação, não há como forçar a barra. O pugilista não vai pra frente se não tiver mais harmonia com a equipe?, disse o ex-amigo. Dórea acompanhou Popó durante 14 anos, até o rompimento, quando o campeão mundial tinha 28 anos e já havia consolidado uma carreira vitoriosa, embora sem o retorno financeiro que considerava justo para seu talento, motivo para a separação. Atualizado às 13h20

Agencia Estado,

04 Outubro 2006 | 12h29

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