Popó teme as cabeçadas de Attah

O boxeador superpena brasileiro Acelino ?Popó? Freitas já sabe qual será o maior obstáculo para manter os títulos da Associação Mundial de Boxe (AMB) e da Organização Mundial de Boxe (OMB), na noite deste sábado, no ringue do Dodge Theatre, em Phoenix, no Arizona: esquivar-se das cabeçadas do adversário nigeriano Daniel Attah, primeiro colocado no ranking da OMB. "Vimos vários teipes de suas lutas e ele tem machucado muitos adversários com essa tática", disse o técnico do brasileiro, Oscar Suarez. "Popó deverá ter bastante atenção, principalmente no início do combate. O juiz também precisará ficar atento", afirmou o treinador. A TV Globo transmite o video-teipe da luta logo após o Criança ?Esperança?, por volta da 1 hora de domingo. O fato de Attah ser canhoto não chega a assustar o lutador brasileiro e sua equipe. "Estou há quase um ano treinando com sparrings canhotos, pois em minha luta de janeiro o Casamayor também era canhoto", disse Popó, que vai lutar pela 32ª vitória consecutiva como profissional. Ele soma 29 nocautes, mas não conseguiu derrubar os adversários na duas últimas lutas. "Estou preocupado apenas em vencer. Não interessa se for por pontos ou por nocaute", afirmou o pugilista, que realizou mais de 300 roundes durante os treinos em Poconos, na Pensilvânia, nas últimas dez semanas. Attah, que disputou a Olimpíada de Atlanta, em 1996, pela Nigéria, também está invicto, mas seu cartel é bem mais modesto do que o do brasileiro. São 20 vitórias (8 por nocaute) e um empate. "Trata-se de um lutador bastante técnico e com muita velocidade", disse Newton Campos, presidente da Federação Paulista de Boxe. "Mas não acho que seja problema para Popó, pois Attah não tem pegada para diminuir o ímpeto do campeão. Não deve resistir aos 12 assaltos programados." Esta será a primeira vez que Popó defenderá o título da AMB e a oitava da OMB. Caso vença, o lutador baiano planeja fazer seu próximo combate no Brasil, em dezembro. Em 2003, o brasileiro pretende disputar o título mundial do Conselho Mundial de Boxe (CMB) ou da Federação Internacional de Boxe (FIB). Popó também pensa na possibilidade de subir para a categoria dos leves no próximo ano. Na mesma programação, outros quatro brasileiros estarão em ação: o pena Valdemir dos Santos, o Sertão (30º no ranking do CMB), o leve Juliano Ramos, o meio-médio José Archak e o meio-pesado Laudelino de Barros. Mudanças - Muitos especialistas afirmam que as mulheres são um problema para os boxeadores. No caso de Popó, porém, a afirmação não é válida. Após o casamento com Eliana Guimarães, em 2001, a carreira do campeão mundial dos superpernas, versão Associação Mundial de Boxe (AMB) e Organização Mundial de Boxe (OMB), só tem mostrado progressos. Popó trocou de empresário e de técnico, não teve mais problemas com a balança para acusar os 58,967 quilos, peso máximo da categoria, acumulou vitórias convincentes e ainda acrescentou ao currículo o importante título da AMB, ao obter o triunfo mais importante de sua carreira, em janeiro, diante do cubano Joel Casamayor. Sempre bem-humorada, Eliana passa a maior parte do tempo ao lado do marido e esteve todo o período de treinamento para a luta contra Daniel Attah com o campeão em Poconos, na Pensilvânia. "Com ela, sinto-me seguro, feliz e confiante para fazer meu trabalho", afirmou Popó, que chega a "trocar" alguns golpes com a mulher durante o intervalo dos treinos. "A tranqüilidade e a companhia da mulher estão sendo muito importantes para o Popó nesse período de espera do combate", afirmou Newton Campos, presidente da Federação Paulista de Boxe. "Ele está mais maduro e concentrado." Outros campeões que marcaram época no boxe não tiveram muita sorte com as mulheres. O exemplo maior é o peso pesado Mike Tyson, cuja carreira entrou em declínio após um casamento conturbado com a atriz Robin Givens. Na década de 50, aos 33 anos, Rocky Marciano pendurou as luvas, ainda invicto (49 vitórias e 43 nocautes), após prometer à mulher férias eternas. Nem propostas de US$ 1 milhão para enfrentar Floyd Patterson e de US$ 3 milhões para encarar Sonny Liston o fizeram voltar ao pugilismo. Nesse caso, o esporte perdeu. No início do século, o grandalhão Jack Johnson desafiou o racismo da seita Ku Klux Klan ao ter vários casos amorosos com mulheres brancas. Por isso, foi preso diversas vezes.

Agencia Estado,

02 Agosto 2002 | 21h38

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