Popov critica versão do doping do brasileiro

Um dos maiores nadadores da história e membro do Comitê Olímpico Internacional (COI), Alexander Popov, critica abertamente Cesar Cielo, coloca em dúvida a situação pela qual o brasileiro participou do Mundial de Xangai, no ano passado, e alerta que atletas "não ficaram satisfeitos com o que ocorreu".

JAMIL CHADE , ENVIADO ESPECIAL /LONDRES, O Estado de S.Paulo

24 de julho de 2012 | 03h02

Um teste de doping no nadador brasileiro antes da competição deu positivo, mas a Confederação Brasileira de Desportos Aquáticos optou apenas por dar uma advertência ao nadador, sob a alegação de que a culpa teria sido do laboratório que produzia medicamentos usados pelo brasileiro. A Federação Internacional de Natação (Fina) decidiu levar o caso ao Tribunal Arbitral dos Esportes, pedindo uma punição mais dura.

Mas a corte, com sede na Suíça, acabou dando um parecer próximo ao que as autoridades brasileiras já haviam imposto sobre o nadador, liberando Cielo para participar do Mundial na China. Na ocasião, Cielo declarou que a "verdade prevaleceu" sobre sua situação.

Mas ontem, no saguão de um dos hotéis mais luxuosos de Londres, transformado em quartel general do COI, Popov conversou com exclusividade com o Estado e deixou claro que o caso continua a irritar o mundo da natação. O ex-nadador colecionou quatro medalhas de ouro e cinco de prata em Barcelona (1992), em Atlanta (1996) e em Sidnei (2000). Hoje, é um dos membros do comitê que se encarrega de avaliar a preparação do Rio para 2016.

Ao ser questionado sobre as chances de Cielo levar a medalha de ouro em Londres, o russo de 41 anos não poupou ataques ao brasileiro. "Não gostei nada do que ocorreu em Xangai", criticou. "Não foi correto. Há algo de muito estranho nessa história ainda", completou.

Popov salientou que tem de respeitar a decisão final das autoridades em relação aos exames realizados com os testes de Cielo. "Obviamente que respeito a decisão que foi tomada. Mas, mais uma vez, não foi certo o que ocorreu", disse.

Questionado sobre o fato de o laboratório ter sido apontado como o culpado, o russo perdeu a calma. "Isso é uma grande besteira. Grande besteira mesmo", atacou. "Muitos nadadores ficaram muito insatisfeitos com o que ocorreu. Não gostaram nada da decisão que foi tomada", insistiu Popov.

Sobre a preparação do Rio para os Jogos de 2016, Popov insiste que "não há mistérios". "É só fazer o que a cartilha do COI diz e não há como dar errado", tranquilizou o russo.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.